três nuas mulheres me trouxeram ao mundo, três...
Uma abria suas pernas, outra me retirava desse ventre me recebendo com o primeiro abraço que afaguei do mundo, enquanto isso orações saiam da boca da terceira abençoando aquele parto.
Cresci num quintal correndo e gritando o que descobria pras minhas três mães-mulheres.
Ouvi grandiosas histórias,
conversas e cantigas
palavras e mandingas.
Eu sempre amei mulheres
No meio das suas dores
que eu carrego pra mim,
por entre seus colos
que abrigam a mim,
debaixo das suas saias
que rodam pra mim,
através do meu olhar, porque sempre encantaram a mim.
Eu sempre amei mulheres
pelos tiros dados na janela
pelas calças de brim
pelas confissões enfim
por colherem jasmim
pelos olhares perdidos
e encostados no meu,
pela vida que foi levada
e a mim coube fechar os olhos,
pelas mãos que segurei
pelas peles que toquei
pelos sorrisos que dei
pelos gritos que bradamos.
essa mulher nua sou eu
que por ser mulher,
sempre amei mulheres.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
Passageiro número 1.
Esses dias eu sonhei
com um feto rompendo uma vagina
que a fez ficar cheia de pontos, foi parto natural.
A pele da cara era oleosa, tinham manchas e espinhas
o cabelo tava desgrenhado e loiro queimado, só pele e osso
o hálito dizia sobre os últimos dias virados que foram aqueles
parecia que nós tínhamos tomado um porre de pinga num bar bem sujo e não tomamos banho desde então.
O cheiro do corpo era de animal
nós somos.
Mal pariu e já pulou da cama com a vagina cheia de linhas pretas
como uma pantera arrisca
incapaz de ser domada
no meio de um vestido estrelado azul que dançava com seu corpo-agora-mãe.
Nesse dia gritou, rugiu
os braços eram no alto enquanto falava
a voz era de uma agressividade gentileza
eu acompanhei tudo ali, ela ficou assim! juro, vi com esses olhos.
aliás, tive a impressão de ser joão seu nome.
um ser que cabia no meu antebraço todo cheio de rugas e duas jabuticabas,
não falava
porque as pessoas não falam
não mascava chiclete
porque as pessoas não mascam chicletes
ele costumava só me olhar
porque só lembro de uma cena em que ele aparecia
numa mantinha branca, sem cabelos e olhinhos assustados por ver sua mãe ser uma louca desvairada
que saia correndo por aí, de pés descalços, pernas abertas.
sua barriga parecia um balão que foi enchido pra se flutuar
eu toquei
acordei.
com um feto rompendo uma vagina
que a fez ficar cheia de pontos, foi parto natural.
A pele da cara era oleosa, tinham manchas e espinhas
o cabelo tava desgrenhado e loiro queimado, só pele e osso
o hálito dizia sobre os últimos dias virados que foram aqueles
parecia que nós tínhamos tomado um porre de pinga num bar bem sujo e não tomamos banho desde então.
O cheiro do corpo era de animal
nós somos.
Mal pariu e já pulou da cama com a vagina cheia de linhas pretas
como uma pantera arrisca
incapaz de ser domada
no meio de um vestido estrelado azul que dançava com seu corpo-agora-mãe.
Nesse dia gritou, rugiu
os braços eram no alto enquanto falava
a voz era de uma agressividade gentileza
eu acompanhei tudo ali, ela ficou assim! juro, vi com esses olhos.
aliás, tive a impressão de ser joão seu nome.
um ser que cabia no meu antebraço todo cheio de rugas e duas jabuticabas,
não falava
porque as pessoas não falam
não mascava chiclete
porque as pessoas não mascam chicletes
ele costumava só me olhar
porque só lembro de uma cena em que ele aparecia
numa mantinha branca, sem cabelos e olhinhos assustados por ver sua mãe ser uma louca desvairada
que saia correndo por aí, de pés descalços, pernas abertas.
sua barriga parecia um balão que foi enchido pra se flutuar
eu toquei
acordei.
domingo, 13 de julho de 2014
Pernas de meninx.
No corpo, mulher.
Mas nas pernas nem tanto
Nos seios, fartos e pequenos, mulher.
na cintura quebrada, gingado torto, quadris malevolentes
Mas nas pernas, nem tanto...
Nas pernas levava machucados do subir nas árvores. Joelhos traziam a terra do meio do mato, o asfalto das avenidas enormes, a areia do parquinho. Mas no colo, das clavículas aparentes, era mulher. Nos braços firmes, nas māos do pai, não era nada físico, nāo graça, nāo linda aos olhos conformados, mas era linda graça física na pontual força.
Na força, mulher.
Na garra, mulher.
Na fera, mulher.
No amor, mulher.
Mas nas pernas...
As pernas de milhares de ruas
milhares de enroscar nuas
Nas pernas firmes esfoladas
machucadas
Nas pernas era meninx
Porque mulher termina com pontos finais
Mas nas pernas nem tanto
Nos seios, fartos e pequenos, mulher.
na cintura quebrada, gingado torto, quadris malevolentes
Mas nas pernas, nem tanto...
Nas pernas levava machucados do subir nas árvores. Joelhos traziam a terra do meio do mato, o asfalto das avenidas enormes, a areia do parquinho. Mas no colo, das clavículas aparentes, era mulher. Nos braços firmes, nas māos do pai, não era nada físico, nāo graça, nāo linda aos olhos conformados, mas era linda graça física na pontual força.
Na força, mulher.
Na garra, mulher.
Na fera, mulher.
No amor, mulher.
Mas nas pernas...
As pernas de milhares de ruas
milhares de enroscar nuas
Nas pernas firmes esfoladas
machucadas
Nas pernas era meninx
Porque mulher termina com pontos finais
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Sobre muitas pétalas.
As flores nascem
assim como nascem, morrem.
As flores desaguam
como o rio vermelho, que vem limpar, escorre entre minhas pernas.
Flores se purificam,
renovam, tornam-se.
Tem gente que parece flor
de vaso
de mato
de jardim
de pico
de asfalto
levando cada uma um odor, cor, sabor.
Tem flor que parece céu
nasce amarela
deita laranja
e murcha de escuridão
Tem rosa que parece amor
brota nos olhos
faz botão na barriga
floresce no peito
e vomita pela boca
Tem caule que trás raiz
e tampa os olhos
e enraíza na terra
e não sai do lugar
e caule não para em pé sem raiz
e ninguém sabe que raiz cortar
e ninguém sabe que raiz sustenta a flor inteira
e tem gente (que parece flor, enfim)
Abra os olhos,
deixe a flor morrer - assim como morre o dia.
Tire as rosas da boca,
e me diga que não és nada casta.
assim como nascem, morrem.
As flores desaguam
como o rio vermelho, que vem limpar, escorre entre minhas pernas.
Flores se purificam,
renovam, tornam-se.
Tem gente que parece flor
de vaso
de mato
de jardim
de pico
de asfalto
levando cada uma um odor, cor, sabor.
Tem flor que parece céu
nasce amarela
deita laranja
e murcha de escuridão
Tem rosa que parece amor
brota nos olhos
faz botão na barriga
floresce no peito
e vomita pela boca
Tem caule que trás raiz
e tampa os olhos
e enraíza na terra
e não sai do lugar
e caule não para em pé sem raiz
e ninguém sabe que raiz cortar
e ninguém sabe que raiz sustenta a flor inteira
e tem gente (que parece flor, enfim)
Abra os olhos,
deixe a flor morrer - assim como morre o dia.
Tire as rosas da boca,
e me diga que não és nada casta.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Pássaros.
De doer se entende
mas e de si?
De quando os olhos procuram o resto das fagulhas
eu entendo
mas e de mim?
Quando saem facas da boca, apunhalam
mas e os punhais de si?
As rosas florescendo, desde os pés, perfumam
onde brotam as de si?
A que ponto o si começa a ser nós
sem pudor de voz
quando o interior sai da casca de noz?
um rouxinol de bicos atados
numa gaiola branca
não canta.
mas no céu imenso pode se fazer festa em todo lugar
e a música que vem é de um pequeno piaf
de olhos grandes
cabelo caracol
boca que diz
e rir quando quer.
mas e de si?
De quando os olhos procuram o resto das fagulhas
eu entendo
mas e de mim?
Quando saem facas da boca, apunhalam
mas e os punhais de si?
As rosas florescendo, desde os pés, perfumam
onde brotam as de si?
A que ponto o si começa a ser nós
sem pudor de voz
quando o interior sai da casca de noz?
um rouxinol de bicos atados
numa gaiola branca
não canta.
mas no céu imenso pode se fazer festa em todo lugar
e a música que vem é de um pequeno piaf
de olhos grandes
cabelo caracol
boca que diz
e rir quando quer.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Con-versos com o vento.
costumo gostar da meia luz
da minha cama, pequena e enraizada no chão, pouco se vê da janela.
só nas duras beiradas percebo as luzes da cidade
casas, carros, postes, o pico da torre avermelhado
mas boa parte, da minha janela, vem com o céu
e com pessoas que cruzam o horizonte
deixando pra trás essas terras - viajam pelo preto imenso que carrega pequenos pontos de luz.
o pouco de laranja que vem, como chamas de vela, é da cidade acesa
regam junto com as estrelas acesas, o céu,
formando a meia luz.
costumo gostar do ar limpo
que refresca as narinas que nem hortelã.
pesa a densidade certa sustentada pelos poros
não tem o sujo
não tem o lúcido,
tem ar.
nem o incenso de yemanjá, grande rainha aiocá
que vem me navegando por entre as páginas de jorge amado
consegue se comparar ao
puro ar.
o ar da noite é frio, escondido no rabo de olho, e só.
é o ar da hora que o vento pode vagar por aí e pensar consigo mesmo
por quais bandas andar
que cabelos vai refrescar
que corpos vai embalar
por onde vai correr forte e cantar
nessa hora aí, quando as luzes do céu apagam, e ele fica à meia luz.
da minha cama, pequena e enraizada no chão, pouco se vê da janela.
só nas duras beiradas percebo as luzes da cidade
casas, carros, postes, o pico da torre avermelhado
mas boa parte, da minha janela, vem com o céu
e com pessoas que cruzam o horizonte
deixando pra trás essas terras - viajam pelo preto imenso que carrega pequenos pontos de luz.
o pouco de laranja que vem, como chamas de vela, é da cidade acesa
regam junto com as estrelas acesas, o céu,
formando a meia luz.
costumo gostar do ar limpo
que refresca as narinas que nem hortelã.
pesa a densidade certa sustentada pelos poros
não tem o sujo
não tem o lúcido,
tem ar.
nem o incenso de yemanjá, grande rainha aiocá
que vem me navegando por entre as páginas de jorge amado
consegue se comparar ao
puro ar.
o ar da noite é frio, escondido no rabo de olho, e só.
é o ar da hora que o vento pode vagar por aí e pensar consigo mesmo
por quais bandas andar
que cabelos vai refrescar
que corpos vai embalar
por onde vai correr forte e cantar
nessa hora aí, quando as luzes do céu apagam, e ele fica à meia luz.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Solta-puxa.
sol no lombo
faz dourar
a pele toda
escorregadia
de suor
o suor pinga
qualquer lembrança
que ouse vagar pelo peito
só se ouve urros
que traduzem esse corpo inquieto
só se vê estrelas laranjas
pela luz do sol que pousa nos olhos interiores
tem pele roçando
nuca dobrando
pele saltando
joelhos se encontram
pra cada vez mais plugar-se em si.
plugar-se a si
deixar-me a mim
se junta no ato
se solta no abraço
pras outras pernas tocar
outros versos formar
quando juntamos e soltamos a si
sabemos plugar e deixar aquelx que passar.
faz dourar
a pele toda
escorregadia
de suor
o suor pinga
qualquer lembrança
que ouse vagar pelo peito
só se ouve urros
que traduzem esse corpo inquieto
só se vê estrelas laranjas
pela luz do sol que pousa nos olhos interiores
tem pele roçando
nuca dobrando
pele saltando
joelhos se encontram
pra cada vez mais plugar-se em si.
plugar-se a si
deixar-me a mim
se junta no ato
se solta no abraço
pras outras pernas tocar
outros versos formar
quando juntamos e soltamos a si
sabemos plugar e deixar aquelx que passar.
Extremos - Um corpo pró-ativo.
Pico Alto Salto
Mato Rasgo Corto
Colo Choro Amolo
Mudança mete medo
deixa o passo assim meio cabreiro
mas se nem eu tenho controle de mim,
como uma corrente na minha garganta há de prender?
A inconsequência é não planejar o futuro?
Pois, me diz... Como ponteiam seus relógios?
Pra que toda essa dureza
Pra onde foi toda beleza
de poder só caminhar.
Eu me torno irresponsável
inconsequente, miserável
se só com as minhas pernas pelo mundo andar?
Pois não tem quem segure
toda mudança que cure e dure
onde a vida vem mostrar.
Só seus próprios olhos
podem ver o que vai passando
até descobrir por qual caminho quer viajar.
Em algumas mãos tu simpatizas abraçar
Em outras a estrada é tão distante
que é preciso separar.
Sigamos, apesar de nossas ruas distintas,
juntas em coração
é ruim demais
podar uma alma com um não.
A mudança me leva pra qualquer lugar coberto por céu.
Não é jogado assim, são consequências de mim.
Mato Rasgo Corto
Colo Choro Amolo
Mudança mete medo
deixa o passo assim meio cabreiro
mas se nem eu tenho controle de mim,
como uma corrente na minha garganta há de prender?
A inconsequência é não planejar o futuro?
Pois, me diz... Como ponteiam seus relógios?
Pra que toda essa dureza
Pra onde foi toda beleza
de poder só caminhar.
Eu me torno irresponsável
inconsequente, miserável
se só com as minhas pernas pelo mundo andar?
Pois não tem quem segure
toda mudança que cure e dure
onde a vida vem mostrar.
Só seus próprios olhos
podem ver o que vai passando
até descobrir por qual caminho quer viajar.
Em algumas mãos tu simpatizas abraçar
Em outras a estrada é tão distante
que é preciso separar.
Sigamos, apesar de nossas ruas distintas,
juntas em coração
é ruim demais
podar uma alma com um não.
A mudança me leva pra qualquer lugar coberto por céu.
Não é jogado assim, são consequências de mim.
sábado, 26 de abril de 2014
Pico.
Procura-se o quê?
Vem pela liberdade de colocar a palma dos pés em qualquer lugar?
Procura-se por olhar, carinho?
São essas perguntas geradas, procura-se?
ombros, ancas, pés
Procura-se?
pela cura, pró-cura
cura o quê?
vaga, anda, corre, olhar olhar olhar olhar
o foco externa, a procura interna
procura gente, mente, sente... pente?
procura mão, chão... pão?
perdão, o que tu disses?
onde é que tá?
onde foi parar?
tá paradx, correndo?
sentadx, fodendo?
um céu sem luz, uma gente sem som, um peito com ar, um cheiro de nada
bem lá no alto
pra ficar mais fácil de me ouvir.
Vem pela liberdade de colocar a palma dos pés em qualquer lugar?
Procura-se por olhar, carinho?
São essas perguntas geradas, procura-se?
ombros, ancas, pés
Procura-se?
pela cura, pró-cura
cura o quê?
vaga, anda, corre, olhar olhar olhar olhar
o foco externa, a procura interna
procura gente, mente, sente... pente?
procura mão, chão... pão?
perdão, o que tu disses?
onde é que tá?
onde foi parar?
tá paradx, correndo?
sentadx, fodendo?
um céu sem luz, uma gente sem som, um peito com ar, um cheiro de nada
bem lá no alto
pra ficar mais fácil de me ouvir.
Podres.
No instante, confesso:
a vontade é de ter
o medo é de perder.
Mas ainda crio consciência
do desejo de viver, ser, não ser.
Cultivo um vaso de flores
regado a respeito e
adubado com liberdade.
Mas confesso,
a vontade é de comer
o medo é de morrer.
Se olhar se torna fugidio
é pela estrada que se quer correr.
Certo, assim? Só pode correr ou olhar? É no oito ou cento e vinte?
O que é trocado se perde por entre as estradas ou só são feitas outras trocas?
Olha, confesso
a vontade é ser suas pupilas
o medo é de se tornar bagagem.
Escrevo, por fim, só se alimenta o que quer.
mas ainda como demais.
a vontade é de ter
o medo é de perder.
Mas ainda crio consciência
do desejo de viver, ser, não ser.
Cultivo um vaso de flores
regado a respeito e
adubado com liberdade.
Mas confesso,
a vontade é de comer
o medo é de morrer.
Se olhar se torna fugidio
é pela estrada que se quer correr.
Certo, assim? Só pode correr ou olhar? É no oito ou cento e vinte?
O que é trocado se perde por entre as estradas ou só são feitas outras trocas?
Olha, confesso
a vontade é ser suas pupilas
o medo é de se tornar bagagem.
Escrevo, por fim, só se alimenta o que quer.
mas ainda como demais.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Criança quer brincar.
Um menino de moletom e pés descalços
cabelo de caracol e espichado
olhos aguçados e braços longos
dos braços longos que vem os abraços enormes
do seio nascendo que vem os abraços de ombro.
Uma menina onde? Não sabe onde...
Saias vieram depois, bem depois.
A sensação de ter uma janela aberta entre as pernas, de um carro bem veloz, é agradável.
Menina coisa nenhuma!
Só o sexo veio
mas o coração é mais maior de grande.
Menino coisa nenhuma!
cabelo de caracol e espichado
olhos aguçados e braços longos
dos braços longos que vem os abraços enormes
do seio nascendo que vem os abraços de ombro.
Uma menina onde? Não sabe onde...
Saias vieram depois, bem depois.
A sensação de ter uma janela aberta entre as pernas, de um carro bem veloz, é agradável.
Menina coisa nenhuma!
Só o sexo veio
mas o coração é mais maior de grande.
Menino coisa nenhuma!
O cru do nu.
entrar
de atrito em atrito,
o ar do fundo sufoca
grito a grito
pito a pito
o cru do nu.
noite, adentrando
pelo sono e é noite
lábios e é noite
dentro. e é noite
adentro, atrito e é noite, afinal.
pescoço e é noite
pele e é noite
pele é noite
pele e noite
pele noite
pelenoite
pela noite
escorremos
pele noite
o mergulho num mar nu
de pele e noite
pele noite, a cabeça tombou de entrega aos quadris que se bateram
produzindo o macio da melodia
quadris, encaixe.
no desencaixe me dê uma música que fale de pele, de noite
pros corpos dançarem de olhos nus
peitos crus
o cru do nu.
prenha do consciente
as pontas do gelo pingam entre o rabo de olho.
os corpos-icebergs derretem em ondas que banham as coxas em mãos
mergulham no fundo e rodopiam num lapso de pele
crua, nua
de atrito em atrito,
o ar do fundo sufoca
grito a grito
pito a pito
o cru do nu.
noite, adentrando
pelo sono e é noite
lábios e é noite
dentro. e é noite
adentro, atrito e é noite, afinal.
pescoço e é noite
pele e é noite
pele é noite
pele e noite
pele noite
pelenoite
pela noite
escorremos
pele noite
o mergulho num mar nu
de pele e noite
pele noite, a cabeça tombou de entrega aos quadris que se bateram
produzindo o macio da melodia
quadris, encaixe.
no desencaixe me dê uma música que fale de pele, de noite
pros corpos dançarem de olhos nus
peitos crus
o cru do nu.
prenha do consciente
as pontas do gelo pingam entre o rabo de olho.
os corpos-icebergs derretem em ondas que banham as coxas em mãos
mergulham no fundo e rodopiam num lapso de pele
crua, nua
Observando brotinhos pretos.
Não posso te ver com olhos cerrados
olhar amassado
dobrado
Um rabo de olho mei desconfiado
salgado
Sussurro na nuca
Onde suas mãos encaixam?
Intuição fortuna
Onde suas mãos encaixam?
A sede nua
Onde suas mãos encaixam?
Sentidos a lua
Onde suas mãos encaixam?
Rua, fula, tua
Na censura do vestido
Enroscado
Enrolado
entre
Tiremos a poeira que pousa na quina dos nossos hostis quadris
A lama que cobre os corpos barris
Andemos na corda bamba
por um tris.
olhar amassado
dobrado
Um rabo de olho mei desconfiado
salgado
Sussurro na nuca
Onde suas mãos encaixam?
Intuição fortuna
Onde suas mãos encaixam?
A sede nua
Onde suas mãos encaixam?
Sentidos a lua
Onde suas mãos encaixam?
Rua, fula, tua
Na censura do vestido
Enroscado
Enrolado
entre
Tiremos a poeira que pousa na quina dos nossos hostis quadris
A lama que cobre os corpos barris
Andemos na corda bamba
por um tris.
À presente.
À dor, necessidade.
O físico, forte.
A superação de medos.
A força emocional.
Te faz presente
Presente em ampliar
Presente em sentido
Em amplo sentido
É que o tempo presente a vida te presenteia
Despenteia
Desnorteia
Desencadeia
Comer o presente com fome de vida
O presente como presente
é um presente
sendo presente.
O físico, forte.
A superação de medos.
A força emocional.
Te faz presente
Presente em ampliar
Presente em sentido
Em amplo sentido
É que o tempo presente a vida te presenteia
Despenteia
Desnorteia
Desencadeia
Comer o presente com fome de vida
O presente como presente
é um presente
sendo presente.
domingo, 30 de março de 2014
Não nos afastemos muito.
I
a incerteza da vida me trás o equilíbrio do bom e do ruim.
me excita e me deixa amedrontada.
excita porque certeza e estagnação me repele muito mais que o medo, simples mas grande, de onde colocar os pés no meio do abismo.
e amedronta porque o abismo me parece fundo demais, branco demais, preto demais... neutro demais.
render-se a vida pode ser pleno.
abdicar não é luta, é generosidade.
é fechar os olhos e abaixar o queixo com a estampa de um sorriso.
II
se colocar no lugar dx outrx, é por vezes, sair do seu lugar.
se colocar no seu lugar é ter consciência de si,
onde tu gostas das mãos?
tua pele arrepia quando o toque é mais superficial ou mais apertado?
suas fraquezas são claras?
tuas mortes?
tuas vidas?
é bom saber caminhar sozinhx.
é bom saber de si.
III
apesar dos pesos, pesares
vamos de mãos dadas.
a incerteza da vida me trás o equilíbrio do bom e do ruim.
me excita e me deixa amedrontada.
excita porque certeza e estagnação me repele muito mais que o medo, simples mas grande, de onde colocar os pés no meio do abismo.
e amedronta porque o abismo me parece fundo demais, branco demais, preto demais... neutro demais.
render-se a vida pode ser pleno.
abdicar não é luta, é generosidade.
é fechar os olhos e abaixar o queixo com a estampa de um sorriso.
II
se colocar no lugar dx outrx, é por vezes, sair do seu lugar.
se colocar no seu lugar é ter consciência de si,
onde tu gostas das mãos?
tua pele arrepia quando o toque é mais superficial ou mais apertado?
suas fraquezas são claras?
tuas mortes?
tuas vidas?
é bom saber caminhar sozinhx.
é bom saber de si.
III
apesar dos pesos, pesares
vamos de mãos dadas.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Cabelo nos ombros.
Bota a mesa
Compra o pão
Me sirvo
Delicio do pão, da geléia,
a fartura escorre pela boca
mas é só tu aparecer na porta
que eu corro oferecendo a cadeira, ao lado, na mesa.
Eu digo assim
de olhos espremidos
pra não me assustar de tanta beleza
"como vai? tu ficas?"
de olhos arregalados
tu me fitas
me engole
toda pele
toda boca
toda íris
Não sei bem,
mas já pergunto
,pro tempo que sempre damos,
ainda há tempo?
pras carícias que gostávamos
ainda há nuca?
pros beijos assustados
ainda há língua?
pros olhos curiosos
ainda há corpo?
pro nariz retorcido
ainda há cheiro?
pra boca atrevida
ainda há flores?
existe uma roseira, presa nos meus dentes, sedenta pra dizer que assim como floresce, se fecha.
Compra o pão
Me sirvo
Delicio do pão, da geléia,
a fartura escorre pela boca
mas é só tu aparecer na porta
que eu corro oferecendo a cadeira, ao lado, na mesa.
Eu digo assim
de olhos espremidos
pra não me assustar de tanta beleza
"como vai? tu ficas?"
de olhos arregalados
tu me fitas
me engole
toda pele
toda boca
toda íris
Não sei bem,
mas já pergunto
,pro tempo que sempre damos,
ainda há tempo?
pras carícias que gostávamos
ainda há nuca?
pros beijos assustados
ainda há língua?
pros olhos curiosos
ainda há corpo?
pro nariz retorcido
ainda há cheiro?
pra boca atrevida
ainda há flores?
existe uma roseira, presa nos meus dentes, sedenta pra dizer que assim como floresce, se fecha.
domingo, 9 de março de 2014
"Orelha de quem trabalha forte é dura."
Era mulher quando subia nas mais altas mangueiras para escapar dos cascudos do irmão mais velho.
E foi por entre as poucas luzes laranjas de uma noite chuvosa, que me contou fugir de casa, na sorrateira noite, pra encontrar com amigxs quando tinha dezesseis anos.
Foi mulher quando subiu um morro, levando na cabeça uma bacia d'água, junto com sua mãe, até o topo (porque lá ficava mais próxima de alguma divindade) pra pedir que o céu desabrochasse água e lavasse o fogarel que queimava as almas confusas.
Por tamanha ser, acreditou na vida.
E em uma dessas, viu um filho ser levado, por águas, nos braços da morte, diante dos seus olhos.
E abandonada com duas crianças em seios no meio do mundo.
Acreditou na vida.
Unhas e dentes, inclusive, se foram.
Ergueu seu ninho no meio de uma floresta sábia, com duas pequenas.
Era mulher quando largou tudo por um amor.
De mala, cuia e com quatro olhos serelepes que descobriam o mundo.
Era mulher quando levou no fundo da gaveta uma arma, suas garras, que lhe protegeram de um covarde que tentou invadir uma casa regada "só" por mulheres.
Do tiro disparado pela janela, o cabra correu pelos cabelos curtos da minha vó, mas ela mesma dizia: "Ele correu foi de uma mulher".
Uma vez me disse: "Meus pés são assim duros, porque eu tirava os sapatos pra voltar pra casa. Nenhum homem me alcançava de noite".
Aí se criou um hábito nosso de sempre passar cremes nos pés antes de dormir.
O sapato lhe cegava os sentidos.
Seus olhos, seu tato, no meio da escuridão, estavam nas solas de seus pés. Do sujo que endureceu, da garra que se fincou, da força que estremeceu.
Eram pés duros, cascudos, que contavam histórias onde meus pequenos ouvidos ficavam sedentos pra ouvir.
Foram três mulheres que me pariram.
Foram três lobas me ensinando onde melhor eu colocaria meus pés no asfalto.
Em como arregaçar as pernas pra sentar num toco de madeira e escutar histórias de interior.
Minha vó era uma dessas mulheres selvagens que correm com os lobos.
Quando usava de folhas encontradas no meio da rua pra curar o que lhe atingia.
E a mesma mão que um dia apontou, foi a mesma que tocou o rosto num afago.
Foi a mesma que segurou nos lençóis por entregar seu corpo.
A mesma que, por seguir sua intuição, teve que segurar o corpo da frente que veio para atropelá-la como locomotiva.
Foi a mesma que endureceu, como seus pés e orelhas, pra sustentar escalar em qualquer lugar pra se proteger.
Minhas mãos sempre foram curiosas com todo corpo dessa mulher, meus dedos adoravam descobrir por onde seus pés tinham andado, onde suas mãos repousado, seu ventre nascido, seu rosto encostado. Ela tinha as orelhas mais duras que já peguei na vida, e dizendo ela, eram duras porque "Orelha de quem trabalha forte é dura" - eretas, atentas.
Depois desse dia eu sempre quis levar o saco de arroz pra casa.
A luz me foi dada por uma matilha de mulheres.
Eu saí do ventre de um triângulo.
Eu nasci de mulheres.
Sua filha de mundo.
Foram três mulheres que me pariram,
e uma força coletiva feminina inteira que me move.
E foi por entre as poucas luzes laranjas de uma noite chuvosa, que me contou fugir de casa, na sorrateira noite, pra encontrar com amigxs quando tinha dezesseis anos.
Foi mulher quando subiu um morro, levando na cabeça uma bacia d'água, junto com sua mãe, até o topo (porque lá ficava mais próxima de alguma divindade) pra pedir que o céu desabrochasse água e lavasse o fogarel que queimava as almas confusas.
Por tamanha ser, acreditou na vida.
E em uma dessas, viu um filho ser levado, por águas, nos braços da morte, diante dos seus olhos.
E abandonada com duas crianças em seios no meio do mundo.
Acreditou na vida.
Unhas e dentes, inclusive, se foram.
Ergueu seu ninho no meio de uma floresta sábia, com duas pequenas.
Era mulher quando largou tudo por um amor.
De mala, cuia e com quatro olhos serelepes que descobriam o mundo.
Era mulher quando levou no fundo da gaveta uma arma, suas garras, que lhe protegeram de um covarde que tentou invadir uma casa regada "só" por mulheres.
Do tiro disparado pela janela, o cabra correu pelos cabelos curtos da minha vó, mas ela mesma dizia: "Ele correu foi de uma mulher".
Uma vez me disse: "Meus pés são assim duros, porque eu tirava os sapatos pra voltar pra casa. Nenhum homem me alcançava de noite".
Aí se criou um hábito nosso de sempre passar cremes nos pés antes de dormir.
O sapato lhe cegava os sentidos.
Seus olhos, seu tato, no meio da escuridão, estavam nas solas de seus pés. Do sujo que endureceu, da garra que se fincou, da força que estremeceu.
Eram pés duros, cascudos, que contavam histórias onde meus pequenos ouvidos ficavam sedentos pra ouvir.
Foram três mulheres que me pariram.
Foram três lobas me ensinando onde melhor eu colocaria meus pés no asfalto.
Em como arregaçar as pernas pra sentar num toco de madeira e escutar histórias de interior.
Minha vó era uma dessas mulheres selvagens que correm com os lobos.
Quando usava de folhas encontradas no meio da rua pra curar o que lhe atingia.
E a mesma mão que um dia apontou, foi a mesma que tocou o rosto num afago.
Foi a mesma que segurou nos lençóis por entregar seu corpo.
A mesma que, por seguir sua intuição, teve que segurar o corpo da frente que veio para atropelá-la como locomotiva.
Foi a mesma que endureceu, como seus pés e orelhas, pra sustentar escalar em qualquer lugar pra se proteger.
Minhas mãos sempre foram curiosas com todo corpo dessa mulher, meus dedos adoravam descobrir por onde seus pés tinham andado, onde suas mãos repousado, seu ventre nascido, seu rosto encostado. Ela tinha as orelhas mais duras que já peguei na vida, e dizendo ela, eram duras porque "Orelha de quem trabalha forte é dura" - eretas, atentas.
Depois desse dia eu sempre quis levar o saco de arroz pra casa.
A luz me foi dada por uma matilha de mulheres.
Eu saí do ventre de um triângulo.
Eu nasci de mulheres.
Sua filha de mundo.
Foram três mulheres que me pariram,
e uma força coletiva feminina inteira que me move.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Das coisas que não são instantâneas.
Mas se o vento hoje parar
Meu gingado de loba
há de tratar.
Mas, só por hoje, se a camisa eu não rasgar
Aquela que dá vida através dos ossos
saberá como o calento em mim irá chegar.
É só por hoje que não deixo me atingir.
Quando o sorriso virar cinza
vou recolher as partes de mim
que deixei por cada parte (do corpo seu).
Pra dançar em cima de cada
pele,
suspiro
e abrigo.
E no fim, das cinzas, outra irá nascer.
Meu gingado de loba
há de tratar.
Mas, só por hoje, se a camisa eu não rasgar
Aquela que dá vida através dos ossos
saberá como o calento em mim irá chegar.
É só por hoje que não deixo me atingir.
Quando o sorriso virar cinza
vou recolher as partes de mim
que deixei por cada parte (do corpo seu).
Pra dançar em cima de cada
pele,
suspiro
e abrigo.
E no fim, das cinzas, outra irá nascer.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Primeiro experimento em rascunho: Palavras ditas antes de dedilhadas - poesia bruta.
era tempo de lua
era tempo de lua cheia
seu leite que transbordava, branco,
era o mesmo que saia de mim.
eu dava leite
pra me suprir
a vida
sua amante, lua.
um lençol florido azul
transformou toda roseira
num manto
numa coroação, coração, azul.
eram flores largas
,largas como ando sendo com a vida,
com grandes pétalas azuis.
o mesmo ser que me dava amor
era o ser que eu procurava ser sobrevivente:
eu
azul
pétalas azuis.
a coroa azul
só precisou pesar nos meus ombros
pelas inconstantes palpitações que eu sentia por dentro.
e aceitava,
aceitava pensando que elas eram únicas,
mas mal sabia que essa teia já estava armada fazia tempo.
quando me coroei com o manto azul
coroei toda teia
coroei todas as pessoas que eu precisava viver
vivo pessoas pelo meu manto azul
vivo cada uma, cada teia, cada azul,
cada um com cada qual.
cada um como esse monte de luzes que vejo pela minha janela.
cada luz que vejo é a luz, de um manto azul, que foi coroado.
viver pessoas,
viver é aceitar.
é aceitar cada cor que vem de cada um.
é aceitar a mistura entre cada ponto de luz.
todos nós somos um ponto cintilante que existe aqui
cada ponto tem sua cor
como diz naquele livro dos abraços, sabe?
como se eu olhasse de cima, e todos parecessem umas fogueirinhas
porque cada um tem sua luz
e cada luz é de uma cor.
a minha luz hoje é um manto de pétalas azuis que foi botado sob meus ombros.
vela no toco, ar da boca,
da garganta,
pra acender o ar que rasteja por entre meus lábios
pra levar devagar o ar que toca o meu colo
pra sentir o meu pulmão trabalhar
bem nas minhas costas
é pra discernir bem pra onde ele vai jogar todo o ar que sai de mim
e pra onde ele decidir onde boto as mãos
o meu pulmão decide onde eu encosto minha cabeça
porque meu corpo é ar
o meu corpo é ar
o meu corpo é luz
o meu corpo é cor
o meu corpo é o que tenho pra guardar toda luz que existe aqui dentro
o meu corpo é caixa
campo de batalha
onde se recebe guerreiros
e eu sou sempre sobrevivente de mim mesma.
era tempo de lua cheia
seu leite que transbordava, branco,
era o mesmo que saia de mim.
eu dava leite
pra me suprir
a vida
sua amante, lua.
um lençol florido azul
transformou toda roseira
num manto
numa coroação, coração, azul.
eram flores largas
,largas como ando sendo com a vida,
com grandes pétalas azuis.
o mesmo ser que me dava amor
era o ser que eu procurava ser sobrevivente:
eu
azul
pétalas azuis.
a coroa azul
só precisou pesar nos meus ombros
pelas inconstantes palpitações que eu sentia por dentro.
e aceitava,
aceitava pensando que elas eram únicas,
mas mal sabia que essa teia já estava armada fazia tempo.
quando me coroei com o manto azul
coroei toda teia
coroei todas as pessoas que eu precisava viver
vivo pessoas pelo meu manto azul
vivo cada uma, cada teia, cada azul,
cada um com cada qual.
cada um como esse monte de luzes que vejo pela minha janela.
cada luz que vejo é a luz, de um manto azul, que foi coroado.
viver pessoas,
viver é aceitar.
é aceitar cada cor que vem de cada um.
é aceitar a mistura entre cada ponto de luz.
todos nós somos um ponto cintilante que existe aqui
cada ponto tem sua cor
como diz naquele livro dos abraços, sabe?
como se eu olhasse de cima, e todos parecessem umas fogueirinhas
porque cada um tem sua luz
e cada luz é de uma cor.
a minha luz hoje é um manto de pétalas azuis que foi botado sob meus ombros.
vela no toco, ar da boca,
da garganta,
pra acender o ar que rasteja por entre meus lábios
pra levar devagar o ar que toca o meu colo
pra sentir o meu pulmão trabalhar
bem nas minhas costas
é pra discernir bem pra onde ele vai jogar todo o ar que sai de mim
e pra onde ele decidir onde boto as mãos
o meu pulmão decide onde eu encosto minha cabeça
porque meu corpo é ar
o meu corpo é ar
o meu corpo é luz
o meu corpo é cor
o meu corpo é o que tenho pra guardar toda luz que existe aqui dentro
o meu corpo é caixa
campo de batalha
onde se recebe guerreiros
e eu sou sempre sobrevivente de mim mesma.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Conversas Fingidas.
De vez em quando algumas palavras escapolem
Outrora sorrisos
Olhares Miúdos.
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que escapolem algumas juras
Alguns toques
conversas sobre a vida
conversas fingidas
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que as minhas flores
são colocadas pra fora
em doação
mas, me diz Maria Flor, você coroa essas flores pra quem?
aí tu vem e diz: "É pra mim".
Te vejo por aí tirando rosas, de plenitude, do centro do seu corpo
E quando você estende as suas mãos, entregando... Quem espera que as receba, Maria Flor?
Tem vez que penso na sua loucura
aí tu vem e diz: "É só a vontade de doar..."
Maria Flor,
tu aceitas o vento?
tu aceitas um vendaval no seu corpo?
Flores, em vastidão,
na beira de suas mãos.
Entregando a solidão,
a beira de mim
num vão.
O presente é entregue
ao ser de paixão
que foge ao ver
que tenho flores em minhas mãos.
São vermelhas demais?
O cheiro é muito forte?
O que te espanta, paixão?
É paixão? Sina?
Ou é só a solidão que te carregou por tempo demais?
Vai ver é só coração.
A cada palavra que escapole
Por cada pensamento em ti,
A cada sorriso dado ao vento
Por cada pensamento em ti,
A cada respiração de funda calmaria
Por cada pensamento em ti,
A cada outra flor tentando ser plantada
Que não consegue pelo pensamento em ti,
Uma flor é entregue de minhas mãos
Ao chão.
Outrora sorrisos
Olhares Miúdos.
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que escapolem algumas juras
Alguns toques
conversas sobre a vida
conversas fingidas
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que as minhas flores
são colocadas pra fora
em doação
mas, me diz Maria Flor, você coroa essas flores pra quem?
aí tu vem e diz: "É pra mim".
Te vejo por aí tirando rosas, de plenitude, do centro do seu corpo
E quando você estende as suas mãos, entregando... Quem espera que as receba, Maria Flor?
Tem vez que penso na sua loucura
aí tu vem e diz: "É só a vontade de doar..."
Maria Flor,
tu aceitas o vento?
tu aceitas um vendaval no seu corpo?
Flores, em vastidão,
na beira de suas mãos.
Entregando a solidão,
a beira de mim
num vão.
O presente é entregue
ao ser de paixão
que foge ao ver
que tenho flores em minhas mãos.
São vermelhas demais?
O cheiro é muito forte?
O que te espanta, paixão?
É paixão? Sina?
Ou é só a solidão que te carregou por tempo demais?
Vai ver é só coração.
A cada palavra que escapole
Por cada pensamento em ti,
A cada sorriso dado ao vento
Por cada pensamento em ti,
A cada respiração de funda calmaria
Por cada pensamento em ti,
A cada outra flor tentando ser plantada
Que não consegue pelo pensamento em ti,
Uma flor é entregue de minhas mãos
Ao chão.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
As flores de Maria Flor.
Aqui dentro
Faz chuva de noite e de dia
Pra molhar as rosas desse amor que ainda arrodia
Os cabelos daquela que chamo Maria.
Maria do Rosário
Maria da Roseira
Maria um dia falou:
Meu nome é Maria Flor!
Quando Maria chegava
Lá de longe eu já sentia
O cheiro de rosa que ela possuía.
Era um cheiro vermelho e tem vez que era lilás
Até hoje te ofereço
As rosas que Maria Flor trás.
Faz chuva de noite e de dia
Pra molhar as rosas desse amor que ainda arrodia
Os cabelos daquela que chamo Maria.
Maria do Rosário
Maria da Roseira
Maria um dia falou:
Meu nome é Maria Flor!
Quando Maria chegava
Lá de longe eu já sentia
O cheiro de rosa que ela possuía.
Era um cheiro vermelho e tem vez que era lilás
Até hoje te ofereço
As rosas que Maria Flor trás.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Início, constatação, vida e amor - florido caminho.
Começou pelos olhos.
A pupila preta e miúda, como semente, fez brotar nos olhos ramos de alecrim.
E brotou.
A troca de olhares se fez pelas flores brancas do orvalho do mar.
Depois o vento trouxe, pequenas e finas folhas, para pousarem no pescoço.
E pelo carinho, enraizou.
Através dos pés, raízes seguiam até as coxas, germinavam no sexo pequenas flores vermelhas, como a espinhenta Euphorbia Milii.
E seguiam.
Infiltravam no umbigo e alimentavam seu espírito com néctar.
Doce, leve.
Pisou na primeira rosa.
Pela barriga, as raízes corriam para os seios, e nascia uma flor de jasmin em cada um.
E ventava no pescoço.
Da nuca surgiu uma rosa que, ao receber o vento, deitou nos seus lábios - só restou engolir.
Não demorou pra que o corpo se tornasse uma grande roseira.
Pisou na segunda rosa.
E os botões, mesmo fechados, pulsavam.
O intenso cultivo.
A abundância.
O amor.
E se destrinchou, repartiu, explodiu,
a roseira se abriu por todo corpo.
As pétalas clamavam um espaço no centro do peito,
rasgava
empurrava
acomodava
ternura.
As rosas imensas desaguaram néctar - saia pelos olhos.
"Lembro que quando era menor, olhava pra toda uma figura chamada vó e chorava por tamanho ser o meu amor. Hoje, sinto as rosas que meu corpo cultiva e choro do mesmo amor, somente por plenitude."
Era difícil lembrar dos espinhos, que destroçavam a carne, quando tinham centenas de pétalas desabrochando em frescor.
O coração, pulsante e eufórico, foi coroado por um grande ramalhete.
Pelas veias corriam todas as raízes.
Pelos olhos de alecrim, lhe ofereceram, mais uma vez, uma de minhas rosas.
E toda roseira se coroou.
Pisou na terceira rosa.
Como diz Cecília: "Um passo na rosa, um passo no espinho."
E mesmo que as raízes de seus pés fiquem pontiagudas, a roseira continua regando o espírito com néctar.
Doce, leve.
Todo o corpo num desabrochar,
ritmo, constante, fluído
Todo interior regado a ar
puxa, solta, contrai
Toda flor, do meu corpo, a compartilhar.
A pupila preta e miúda, como semente, fez brotar nos olhos ramos de alecrim.
E brotou.
A troca de olhares se fez pelas flores brancas do orvalho do mar.
Depois o vento trouxe, pequenas e finas folhas, para pousarem no pescoço.
E pelo carinho, enraizou.
Através dos pés, raízes seguiam até as coxas, germinavam no sexo pequenas flores vermelhas, como a espinhenta Euphorbia Milii.
E seguiam.
Infiltravam no umbigo e alimentavam seu espírito com néctar.
Doce, leve.
Pisou na primeira rosa.
Pela barriga, as raízes corriam para os seios, e nascia uma flor de jasmin em cada um.
E ventava no pescoço.
Da nuca surgiu uma rosa que, ao receber o vento, deitou nos seus lábios - só restou engolir.
Não demorou pra que o corpo se tornasse uma grande roseira.
Pisou na segunda rosa.
E os botões, mesmo fechados, pulsavam.
O intenso cultivo.
A abundância.
O amor.
E se destrinchou, repartiu, explodiu,
a roseira se abriu por todo corpo.
As pétalas clamavam um espaço no centro do peito,
rasgava
empurrava
acomodava
ternura.
As rosas imensas desaguaram néctar - saia pelos olhos.
"Lembro que quando era menor, olhava pra toda uma figura chamada vó e chorava por tamanho ser o meu amor. Hoje, sinto as rosas que meu corpo cultiva e choro do mesmo amor, somente por plenitude."
Era difícil lembrar dos espinhos, que destroçavam a carne, quando tinham centenas de pétalas desabrochando em frescor.
O coração, pulsante e eufórico, foi coroado por um grande ramalhete.
Pelas veias corriam todas as raízes.
Pelos olhos de alecrim, lhe ofereceram, mais uma vez, uma de minhas rosas.
E toda roseira se coroou.
Pisou na terceira rosa.
Como diz Cecília: "Um passo na rosa, um passo no espinho."
E mesmo que as raízes de seus pés fiquem pontiagudas, a roseira continua regando o espírito com néctar.
Doce, leve.
Todo o corpo num desabrochar,
ritmo, constante, fluído
Todo interior regado a ar
puxa, solta, contrai
Toda flor, do meu corpo, a compartilhar.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Mulher caranguejo.
Na carapaça do caranguejo naveguei,
eis o susto.
Vieram olhos, tremor, odor,
eis o susto.
Chegou o íntimo trazendo as veias vermelhas de tanta dor,
eis o susto.
és o susto.
Se tornou metade: Era metade caranguejo, a outra parte era mulher.
Não que a mulher não fazia parte do caranguejo,
caranguejo é o susto.
O tocar na carapaça já é muito
és susto.
Os dedos famintos querem
O olhar sedento pede
A língua devagar se move
mas, como pode, caranguejo, se tu és susto?
O toque vinha
A pele afundava
O desejo ardia
mas, como pode, mulher caranguejo, se tu és susto?
O choro transbordará
A alma ficará com o centro ereto
A coluna se encaixará no lugar
Se fez humanx.
mas, você, mulher caranguejo, continua no susto de sua carapaça.
és susto
porque fora da carapaça ainda é frio demais.
eis o susto.
Vieram olhos, tremor, odor,
eis o susto.
Chegou o íntimo trazendo as veias vermelhas de tanta dor,
eis o susto.
és o susto.
Se tornou metade: Era metade caranguejo, a outra parte era mulher.
Não que a mulher não fazia parte do caranguejo,
caranguejo é o susto.
O tocar na carapaça já é muito
és susto.
Os dedos famintos querem
O olhar sedento pede
A língua devagar se move
mas, como pode, caranguejo, se tu és susto?
O toque vinha
A pele afundava
O desejo ardia
mas, como pode, mulher caranguejo, se tu és susto?
O choro transbordará
A alma ficará com o centro ereto
A coluna se encaixará no lugar
Se fez humanx.
mas, você, mulher caranguejo, continua no susto de sua carapaça.
és susto
porque fora da carapaça ainda é frio demais.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Mandinga.
Do belisco ao mar:
Em todo aquele seu mar,
Meu corpo como magma
estala e esfumaça
a tua pele.
Tu como lua
Eu como um céu, infinito e azul,
pela minha infinita fome
do seu infinito nome
que ressoa como eco
em caverna de homi.
- naquele tempo dava
pra ver bem as estrelas
não existia nenhum renome. -
Tu venha e me some.
Diga: Tome Todo Meu Corpo De Mar
Pra Derreter E Desaparecer No Seu De Magma.
Numa dança,
eu fervo a água de todo seu mar
até se transformar
em puro ar.
(esse ar, formado pela imensidão de um mar e o fervor de um intenso magma, é o que tenho respirado)
Em todo aquele seu mar,
Meu corpo como magma
estala e esfumaça
a tua pele.
Tu como lua
Eu como um céu, infinito e azul,
pela minha infinita fome
do seu infinito nome
que ressoa como eco
em caverna de homi.
- naquele tempo dava
pra ver bem as estrelas
não existia nenhum renome. -
Tu venha e me some.
Diga: Tome Todo Meu Corpo De Mar
Pra Derreter E Desaparecer No Seu De Magma.
Numa dança,
eu fervo a água de todo seu mar
até se transformar
em puro ar.
(esse ar, formado pela imensidão de um mar e o fervor de um intenso magma, é o que tenho respirado)
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Uma dança entre a vida e quadris.
É como se exigisse de mim ser ainda mais mulher.
É isso. É ser mulher.
Mas é ser mulher com vento no rosto
E desse vento não vem só frescor
Ele vem tentando romper a cara.
Mas é ser mulher com rosto de aço
pro vento só trazer embalo
E de noite, quando os lençóis vão ao chão,
pouco importa a pele ser ou não como pêssego.
Mas é ser mulher com quadris como eles são
Quadris que quebram - porque qualquer quadril se quebra.
Ou melhor, quadris se soltam.
Mas é ser mulher de qualquer quadril que possa se soltar
pra vida dançar com seus quadris, mulher.
E quando o acaso parecer duro demais,
seu ventre saberá que precisará ser mole,
pra vida e seu ventre dançarem uma valsa, uma salsa...
Mas é ser mulher sabendo onde se esconde
sua língua que diz.
sua língua que pode.
E quando as raízes ousarem prendê-la,
encontrará ternura ao dizer onde toda raiz se finca.
E se enrijecerá de baixo pra cima em delírio.
Mas é ser mulher sabendo se guiar.
Mas é ser mulher sabendo cuidar do que não possui.
Mas é ser mulher sabendo "a dor e a delícia de ser o que é".
Mas é ser mulher sabendo que o que é, não é, só esteve.
é perceber que se renova a cada respiração quando é deixado renovar.
Mas é ser humano.
Cuidando de si na valorização do seu pranto,
no toque das tuas próprias mãos.
E, lá, quando lhe causar sossego
,no centro do corpo,
goze do seu riso de agradecimento
aos quadris que por fim dançaram
com a sua vida.
É isso. É ser mulher.
Mas é ser mulher com vento no rosto
E desse vento não vem só frescor
Ele vem tentando romper a cara.
Mas é ser mulher com rosto de aço
pro vento só trazer embalo
E de noite, quando os lençóis vão ao chão,
pouco importa a pele ser ou não como pêssego.
Mas é ser mulher com quadris como eles são
Quadris que quebram - porque qualquer quadril se quebra.
Ou melhor, quadris se soltam.
Mas é ser mulher de qualquer quadril que possa se soltar
pra vida dançar com seus quadris, mulher.
E quando o acaso parecer duro demais,
seu ventre saberá que precisará ser mole,
pra vida e seu ventre dançarem uma valsa, uma salsa...
Mas é ser mulher sabendo onde se esconde
sua língua que diz.
sua língua que pode.
E quando as raízes ousarem prendê-la,
encontrará ternura ao dizer onde toda raiz se finca.
E se enrijecerá de baixo pra cima em delírio.
Mas é ser mulher sabendo se guiar.
Mas é ser mulher sabendo cuidar do que não possui.
Mas é ser mulher sabendo "a dor e a delícia de ser o que é".
Mas é ser mulher sabendo que o que é, não é, só esteve.
é perceber que se renova a cada respiração quando é deixado renovar.
Mas é ser humano.
Cuidando de si na valorização do seu pranto,
no toque das tuas próprias mãos.
E, lá, quando lhe causar sossego
,no centro do corpo,
goze do seu riso de agradecimento
aos quadris que por fim dançaram
com a sua vida.
Vem cá.
Vem. Aqui, no meu colo, pode pisar na grama.
Fumar nesse local fechado, que é meu corpo, não é proibido.
Vem que no meu peito não existem conclusões.
Vem cá, longe dessa gritaria
e dos discursos.
Vem, vem olhar comigo o céu.
Vem pensar o melhor que as pessoas tem pra TROC/DO-ar.
Vem descobrir que não é uma luta,
que o que sai da boca não só atinge,
afaga.
O olhar é feito um peixinho
que navega nesse corpo
e depois vira um passarinho preto
que só flutua.
Vem. Vem com o olhar que enche por inteiro.
Descobre comigo que esse falatório não é dito por esses olhos,
é pelo ego.
Vamos trocar essa certeza pelas coisas indizíveis,
Essa verdade pelo riso,
A conclusão, que não será estagnada, pelo cheiro.
Vem cá, nós damos uma chegada ali na calçada,
Saímos desse lugar onde nem os pés sabemos onde botar.
Vem cá, o vento é mais fresco daqui onde eu mostro o rosto.
Fumar nesse local fechado, que é meu corpo, não é proibido.
Vem que no meu peito não existem conclusões.
Vem cá, longe dessa gritaria
e dos discursos.
Vem, vem olhar comigo o céu.
Vem pensar o melhor que as pessoas tem pra TROC/DO-ar.
Vem descobrir que não é uma luta,
que o que sai da boca não só atinge,
afaga.
O olhar é feito um peixinho
que navega nesse corpo
e depois vira um passarinho preto
que só flutua.
Vem. Vem com o olhar que enche por inteiro.
Descobre comigo que esse falatório não é dito por esses olhos,
é pelo ego.
Vamos trocar essa certeza pelas coisas indizíveis,
Essa verdade pelo riso,
A conclusão, que não será estagnada, pelo cheiro.
Vem cá, nós damos uma chegada ali na calçada,
Saímos desse lugar onde nem os pés sabemos onde botar.
Vem cá, o vento é mais fresco daqui onde eu mostro o rosto.
Exercício com rosa, sonho, carinho e Cecília.
Colhi uma rosa, no caminho para o parque, num dia de sol.
A presenteei.
Era uma rosa para o apresso. Cada pétala banhada em polén de um doce carinho.
Eis que chega até mim, um poema de Cecília Meireles, que faz meus olhos sorrirem:
"Essa rosa, além de cor e perfume, trazia amor. O amor às vezes pode estar numa rosa."
O que depositei na rosa, morrendo com ela ou não, se manteve em uma constante linha - pois a música, cantada para levar às pétalas seus timbres de plenitude, veio de dentro.
E quando vem de dentro essa rosa é plantada no coração.
Parte do meu vislumbre: Poesias Completas de Cecília Meireles, página 184, Exercício com rosa, amor, música e morte.
Outra parte do meu vislumbre: A capa desse livro! (uma mulher de linhas verdes num papel branco).
A presenteei.
Era uma rosa para o apresso. Cada pétala banhada em polén de um doce carinho.
Eis que chega até mim, um poema de Cecília Meireles, que faz meus olhos sorrirem:
"Essa rosa, além de cor e perfume, trazia amor. O amor às vezes pode estar numa rosa."
O que depositei na rosa, morrendo com ela ou não, se manteve em uma constante linha - pois a música, cantada para levar às pétalas seus timbres de plenitude, veio de dentro.
E quando vem de dentro essa rosa é plantada no coração.
Parte do meu vislumbre: Poesias Completas de Cecília Meireles, página 184, Exercício com rosa, amor, música e morte.
Outra parte do meu vislumbre: A capa desse livro! (uma mulher de linhas verdes num papel branco).
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