quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sobre muitas pétalas.

As flores nascem
assim como nascem, morrem.
As flores desaguam
como o rio vermelho, que vem limpar, escorre entre minhas pernas.

Flores se purificam,
renovam, tornam-se.

Tem gente que parece flor
de vaso
de mato
de jardim
de pico
de asfalto
levando cada uma um odor, cor, sabor.

Tem flor que parece céu
nasce amarela
deita laranja
e murcha de escuridão

Tem rosa que parece amor
brota nos olhos
faz botão na barriga
floresce no peito
e vomita pela boca

Tem caule que trás raiz
e tampa os olhos
e enraíza na terra
e não sai do lugar
e caule não para em pé sem raiz
e ninguém sabe que raiz cortar
e ninguém sabe que raiz sustenta a flor inteira
e tem gente (que parece flor, enfim)

Abra os olhos,
deixe a flor morrer - assim como morre o dia.
Tire as rosas da boca,
e me diga que não és nada casta.

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