sexta-feira, 30 de maio de 2014

Con-versos com o vento.

costumo gostar da meia luz
da minha cama, pequena e enraizada no chão, pouco se vê da janela.
só nas duras beiradas percebo as luzes da cidade
casas, carros, postes, o pico da torre avermelhado
mas boa parte, da minha janela, vem com o céu
e com pessoas que cruzam o horizonte
deixando pra trás essas terras - viajam pelo preto imenso que carrega pequenos pontos de luz.
o pouco de laranja que vem, como chamas de vela, é da cidade acesa
regam junto com as estrelas acesas, o céu,
formando a meia luz.


costumo gostar do ar limpo
que refresca as narinas que nem hortelã.
pesa a densidade certa sustentada pelos poros
não tem o sujo
não tem o lúcido,
tem ar.
nem o incenso de yemanjá, grande rainha aiocá
que vem me navegando por entre as páginas de jorge amado
consegue se comparar ao
puro ar.
o ar da noite é frio, escondido no rabo de olho, e só.
é o ar da hora que o vento pode vagar por aí e pensar consigo mesmo
por quais bandas andar
que cabelos vai refrescar
que corpos vai embalar
por onde vai correr forte e cantar
nessa hora aí, quando as luzes do céu apagam, e ele fica à meia luz.

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