segunda-feira, 17 de março de 2014

Cabelo nos ombros.

Bota a mesa
Compra o pão

Me sirvo
Delicio do pão, da geléia,
a fartura escorre pela boca
mas é só tu aparecer na porta
que eu corro oferecendo a cadeira, ao lado, na mesa.

Eu digo assim
de olhos espremidos
pra não me assustar de tanta beleza
"como vai? tu ficas?"
de olhos arregalados
tu me fitas
me engole
toda pele
toda boca
toda íris

Não sei bem,
mas já pergunto
,pro tempo que sempre damos,
ainda há tempo?

pras carícias que gostávamos
ainda há nuca?

pros beijos assustados
ainda há língua?

pros olhos curiosos
ainda há corpo?

pro nariz retorcido
ainda há cheiro?

pra boca atrevida
ainda há flores?

existe uma roseira, presa nos meus dentes, sedenta pra dizer que assim como floresce, se fecha.

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