sábado, 29 de novembro de 2014

Passageiro número 1.

Esses dias eu sonhei
com um feto rompendo uma vagina
que a fez ficar cheia de pontos, foi parto natural.
A pele da cara era oleosa, tinham manchas e espinhas
o cabelo tava desgrenhado e loiro queimado, só pele e osso
o hálito dizia sobre os últimos dias virados que foram aqueles
parecia que nós tínhamos tomado um porre de pinga num bar bem sujo e não tomamos banho desde então.
O cheiro do corpo era de animal
nós somos.
Mal pariu e já pulou da cama com a vagina cheia de linhas pretas
como uma pantera arrisca
incapaz de ser domada
no meio de um vestido estrelado azul que dançava com seu corpo-agora-mãe.
Nesse dia gritou, rugiu
os braços eram no alto enquanto falava
a voz era de uma agressividade gentileza
eu acompanhei tudo ali, ela ficou assim! juro, vi com esses olhos.
aliás, tive a impressão de ser joão seu nome.
um ser que cabia no meu antebraço todo cheio de rugas e duas jabuticabas,
não falava
porque as pessoas não falam
não mascava chiclete
porque as pessoas não mascam chicletes
ele costumava só me olhar
porque só lembro de uma cena em que ele aparecia
numa mantinha branca, sem cabelos e olhinhos assustados por ver sua mãe ser uma louca desvairada
que saia correndo por aí, de pés descalços, pernas abertas.
sua barriga parecia um balão que foi enchido pra se flutuar
eu toquei
acordei.

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