quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Início, constatação, vida e amor - florido caminho.

Começou pelos olhos.
A pupila preta e miúda, como semente, fez brotar nos olhos ramos de alecrim.
E brotou.
A troca de olhares se fez pelas flores brancas do orvalho do mar.
Depois o vento trouxe, pequenas e finas folhas, para pousarem no pescoço.
E pelo carinho, enraizou.
Através dos pés, raízes seguiam até as coxas, germinavam no sexo pequenas flores vermelhas, como a espinhenta Euphorbia Milii.
E seguiam.
Infiltravam no umbigo e alimentavam seu espírito com néctar.
Doce, leve.
Pisou na primeira rosa.
Pela barriga, as raízes corriam para os seios, e nascia uma flor de jasmin em cada um.
E ventava no pescoço.
Da nuca surgiu uma rosa que, ao receber o vento, deitou nos seus lábios - só restou engolir.
Não demorou pra que o corpo se tornasse uma grande roseira.
Pisou na segunda rosa.
E os botões, mesmo fechados, pulsavam.
O intenso cultivo.
A abundância.
O amor.
E se destrinchou, repartiu, explodiu,
a roseira se abriu por todo corpo.
As pétalas clamavam um espaço no centro do peito,
rasgava
empurrava
acomodava
ternura.
As rosas imensas desaguaram néctar - saia pelos olhos.
"Lembro que quando era menor, olhava pra toda uma figura chamada vó e chorava por tamanho ser o meu amor. Hoje, sinto as rosas que meu corpo cultiva e choro do mesmo amor, somente por plenitude."
Era difícil lembrar dos espinhos, que destroçavam a carne, quando tinham centenas de pétalas desabrochando em frescor.
O coração, pulsante e eufórico, foi coroado por um grande ramalhete.
Pelas veias corriam todas as raízes.
Pelos olhos de alecrim, lhe ofereceram, mais uma vez, uma de minhas rosas.
E toda roseira se coroou.
Pisou na terceira rosa.
Como diz Cecília: "Um passo na rosa, um passo no espinho."
E mesmo que as raízes de seus pés fiquem pontiagudas, a roseira continua regando o espírito com néctar.
Doce, leve.
Todo o corpo num desabrochar,
ritmo, constante, fluído
Todo interior regado a ar
puxa, solta, contrai
Toda flor, do meu corpo, a compartilhar.

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