segunda-feira, 30 de março de 2015

Resposta, como Maysa.

Agora, depois dos corpos que já passaram por aqui e por aí, você ainda se incomoda com minhas mãos curiosas?
Agora, depois de eu ter mergulhado de vez no lago de mim mesma, você ainda boia sob a água?
Você, por um acaso qualquer de ter acordado no meio da noite, ouve o ranger gritado da minha cama?
Por aqui as cobertas ficam no chão
e eu reinvento muitas vezes meu próprio corpo.

Hoje em dia meu olhar não se espanta mais
ele é calmo e paciente
meio agateado
à meia luz

Hoje, agora, observo uma noite linda que cobre a cidade alaranjada.
Me sinto dançando e uivando no fundo de um lago cristalino
onde antes ficava à margem de mãos dadas com você.

E sinto o meu cheiro,
que não é de lavanda nem doce
É de corpo

E sinto meu coração bater,
que não é de paixão nem prazer
É de ser

E sinto minha pele,
que não é áspera nem fina
É minha

E sinto, sinto, sinto...
Se eu soubesse que ao invés de cair eu voaria, teria pulado no lago mais cedo.

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