sábado, 26 de abril de 2014

Pico.

Procura-se o quê?
Vem pela liberdade de colocar a palma dos pés em qualquer lugar?
Procura-se por olhar, carinho?
São essas perguntas geradas, procura-se?

ombros, ancas, pés
Procura-se?

pela cura, pró-cura
cura o quê?

vaga, anda, corre, olhar olhar olhar olhar
o foco externa, a procura interna
procura gente, mente, sente... pente?
procura mão, chão... pão?
perdão, o que tu disses?

onde é que tá?
onde foi parar?
tá paradx, correndo?
sentadx, fodendo?

um céu sem luz, uma gente sem som, um peito com ar, um cheiro de nada
bem lá no alto
pra ficar mais fácil de me ouvir.

Podres.

No instante, confesso:
a vontade é de ter
o medo é de perder.

Mas ainda crio consciência
do desejo de viver, ser, não ser.
Cultivo um vaso de flores
regado a respeito e
adubado com liberdade.

Mas confesso,
a vontade é de comer
o medo é de morrer.

Se olhar se torna fugidio
é pela estrada que se quer correr.
Certo, assim? Só pode correr ou olhar? É no oito ou cento e vinte?
O que é trocado se perde por entre as estradas ou só são feitas outras trocas?
Olha, confesso

a vontade é ser suas pupilas
o medo é de se tornar bagagem.

Escrevo, por fim, só se alimenta o que quer.
mas ainda como demais.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Criança quer brincar.

Um menino de moletom e pés descalços
cabelo de caracol e espichado
olhos aguçados e braços longos
dos braços longos que vem os abraços enormes
do seio nascendo que vem os abraços de ombro.

Uma menina onde? Não sabe onde...
Saias vieram depois, bem depois.
A sensação de ter uma janela aberta entre as pernas, de um carro bem veloz, é agradável.
Menina coisa nenhuma!
Só o sexo veio
mas o coração é mais maior de grande.
Menino coisa nenhuma!

O cru do nu.

entrar
de atrito em atrito,
o ar do fundo sufoca
grito a grito
pito a pito
o cru do nu.

noite, adentrando
pelo sono e é noite
lábios e é noite
dentro. e é noite
adentro, atrito e é noite, afinal.
pescoço e é noite
pele e é noite
pele é noite
pele e noite
pele noite
pelenoite

pela noite
escorremos
pele noite
o mergulho num mar nu
de pele e noite
pele noite, a cabeça tombou de entrega aos quadris que se bateram
produzindo o macio da melodia
quadris, encaixe.
no desencaixe me dê uma música que fale de pele, de noite
pros corpos dançarem de olhos nus
peitos crus
o cru do nu.

prenha do consciente
as pontas do gelo pingam entre o rabo de olho.
os corpos-icebergs derretem em ondas que banham as coxas em mãos
mergulham no fundo e rodopiam num lapso de pele
crua, nua

Observando brotinhos pretos.

Não posso te ver com olhos cerrados
olhar amassado
dobrado

Um rabo de olho mei desconfiado
salgado

Sussurro na nuca
Onde suas mãos encaixam?
Intuição fortuna
Onde suas mãos encaixam?
A sede nua
Onde suas mãos encaixam?
Sentidos a lua
Onde suas mãos encaixam?
Rua, fula, tua

Na censura do vestido
Enroscado
Enrolado
entre
Tiremos a poeira que pousa na quina dos nossos hostis quadris
A lama que cobre os corpos barris
Andemos na corda bamba
por um tris.

À presente.

À dor, necessidade.
O físico, forte.
A superação de medos.
A força emocional.

Te faz presente
Presente em ampliar
Presente em sentido
Em amplo sentido

É que o tempo presente a vida te presenteia
Despenteia
Desnorteia
Desencadeia
Comer o presente com fome de vida
O presente como presente
é um presente
sendo presente.