quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Uma dança entre a vida e quadris.

É como se exigisse de mim ser ainda mais mulher.
É isso. É ser mulher.


Mas é ser mulher com vento no rosto
E desse vento não vem só frescor
Ele vem tentando romper a cara.
Mas é ser mulher com rosto de aço
pro vento só trazer embalo
E de noite, quando os lençóis vão ao chão,
pouco importa a pele ser ou não como pêssego.

Mas é ser mulher com quadris como eles são
Quadris que quebram - porque qualquer quadril se quebra.
Ou melhor, quadris se soltam.
Mas é ser mulher de qualquer quadril que possa se soltar
pra vida dançar com seus quadris, mulher.
E quando o acaso parecer duro demais,
seu ventre saberá que precisará ser mole,
pra vida e seu ventre dançarem uma valsa, uma salsa...

Mas é ser mulher sabendo onde se esconde
sua língua que diz.
sua língua que pode.
E quando as raízes ousarem prendê-la,
encontrará ternura ao dizer onde toda raiz se finca.
E se enrijecerá de baixo pra cima em delírio.

Mas é ser mulher sabendo se guiar.
Mas é ser mulher sabendo cuidar do que não possui.
Mas é ser mulher sabendo "a dor e a delícia de ser o que é".
Mas é ser mulher sabendo que o que é, não é, só esteve.
é perceber que se renova a cada respiração quando é deixado renovar.

Mas é ser humano.
Cuidando de si na valorização do seu pranto,
no toque das tuas próprias mãos.
E, lá, quando lhe causar sossego
,no centro do corpo,
goze do seu riso de agradecimento
aos quadris que por fim dançaram
com a sua vida.

2 comentários:

  1. A forma como você discorre sobre o imaterial me fascina.
    O imaterial. O que não se vê, não se toca, mas ali está.
    Ao mesmo tempo sua poesia é tão humana.
    Fala de riso, de pranto, de gozo.
    De sensações, de vibrações, de vontades e desejos.
    É como embarcar numa viagem sem saber o seu destino final.
    Assim como a vida. Estamos embarcados e cada dia nos oferece algo novo.
    Frescor. Essa sensação maravilhosa do inédito.
    Porque nas entranhas é sempre a primeira vez.
    Parece que o coração se mostra sempre disposto.
    Assim como o corpo.
    Nos permitimos mais uma vez nos aventurar.
    Pois se a vida é feita de momentos, que estejamos sempre de peito aberto para vivencia-la. E aproveita-la

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    1. Me aquece saber que seu peito se abriu pra receber minhas palavras tão "íntimas e universais", inda mais compará-las com a vida, veja só que imensidão. Imensas, pois aqui teve um bocado seu, dele, dela, de nós... Imensxs.
      Agradeço, Brenno.

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