segunda-feira, 30 de março de 2015

Resposta, como Maysa.

Agora, depois dos corpos que já passaram por aqui e por aí, você ainda se incomoda com minhas mãos curiosas?
Agora, depois de eu ter mergulhado de vez no lago de mim mesma, você ainda boia sob a água?
Você, por um acaso qualquer de ter acordado no meio da noite, ouve o ranger gritado da minha cama?
Por aqui as cobertas ficam no chão
e eu reinvento muitas vezes meu próprio corpo.

Hoje em dia meu olhar não se espanta mais
ele é calmo e paciente
meio agateado
à meia luz

Hoje, agora, observo uma noite linda que cobre a cidade alaranjada.
Me sinto dançando e uivando no fundo de um lago cristalino
onde antes ficava à margem de mãos dadas com você.

E sinto o meu cheiro,
que não é de lavanda nem doce
É de corpo

E sinto meu coração bater,
que não é de paixão nem prazer
É de ser

E sinto minha pele,
que não é áspera nem fina
É minha

E sinto, sinto, sinto...
Se eu soubesse que ao invés de cair eu voaria, teria pulado no lago mais cedo.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Janela nua.

A noite - enorme
nem tudo dorme
ouvi de uma mexicana, que compartilhava pedras, uma vez: "deixe-as na janela pra se banhar de lua"
Se banhar
de céu
com seu manto negro
que cobre os sonhos.

A noite - enorme
nem tudo grita
ouvi da falta de buzinas uma vez: "é na quietude que se conecta"
Se conecta
com a solitude que és ser
em sua pura forma,
como uma dança dessas que tocamos levemente as mãos
e pelos olhares já sentimos
pele a pele.

A noite sussurra pras amantes
que querem fazer amor
em cada uma dessas esquinas vazias.

A noite - enorme
nem tudo dorme
ouvi gemidos de poetizas uma vez: "amo no chão com meu corpo coberto pelas terras vermelhas de brasília aos gritos das corujas"

A noite - enorme
tudo é à luz da lua
que banha
que grita
que faz amor,

se coloque nua na janela
e dance ao brilho
da estrela mais próxima.