era tempo de lua
era tempo de lua cheia
seu leite que transbordava, branco,
era o mesmo que saia de mim.
eu dava leite
pra me suprir
a vida
sua amante, lua.
um lençol florido azul
transformou toda roseira
num manto
numa coroação, coração, azul.
eram flores largas
,largas como ando sendo com a vida,
com grandes pétalas azuis.
o mesmo ser que me dava amor
era o ser que eu procurava ser sobrevivente:
eu
azul
pétalas azuis.
a coroa azul
só precisou pesar nos meus ombros
pelas inconstantes palpitações que eu sentia por dentro.
e aceitava,
aceitava pensando que elas eram únicas,
mas mal sabia que essa teia já estava armada fazia tempo.
quando me coroei com o manto azul
coroei toda teia
coroei todas as pessoas que eu precisava viver
vivo pessoas pelo meu manto azul
vivo cada uma, cada teia, cada azul,
cada um com cada qual.
cada um como esse monte de luzes que vejo pela minha janela.
cada luz que vejo é a luz, de um manto azul, que foi coroado.
viver pessoas,
viver é aceitar.
é aceitar cada cor que vem de cada um.
é aceitar a mistura entre cada ponto de luz.
todos nós somos um ponto cintilante que existe aqui
cada ponto tem sua cor
como diz naquele livro dos abraços, sabe?
como se eu olhasse de cima, e todos parecessem umas fogueirinhas
porque cada um tem sua luz
e cada luz é de uma cor.
a minha luz hoje é um manto de pétalas azuis que foi botado sob meus ombros.
vela no toco, ar da boca,
da garganta,
pra acender o ar que rasteja por entre meus lábios
pra levar devagar o ar que toca o meu colo
pra sentir o meu pulmão trabalhar
bem nas minhas costas
é pra discernir bem pra onde ele vai jogar todo o ar que sai de mim
e pra onde ele decidir onde boto as mãos
o meu pulmão decide onde eu encosto minha cabeça
porque meu corpo é ar
o meu corpo é ar
o meu corpo é luz
o meu corpo é cor
o meu corpo é o que tenho pra guardar toda luz que existe aqui dentro
o meu corpo é caixa
campo de batalha
onde se recebe guerreiros
e eu sou sempre sobrevivente de mim mesma.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Conversas Fingidas.
De vez em quando algumas palavras escapolem
Outrora sorrisos
Olhares Miúdos.
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que escapolem algumas juras
Alguns toques
conversas sobre a vida
conversas fingidas
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que as minhas flores
são colocadas pra fora
em doação
mas, me diz Maria Flor, você coroa essas flores pra quem?
aí tu vem e diz: "É pra mim".
Te vejo por aí tirando rosas, de plenitude, do centro do seu corpo
E quando você estende as suas mãos, entregando... Quem espera que as receba, Maria Flor?
Tem vez que penso na sua loucura
aí tu vem e diz: "É só a vontade de doar..."
Maria Flor,
tu aceitas o vento?
tu aceitas um vendaval no seu corpo?
Flores, em vastidão,
na beira de suas mãos.
Entregando a solidão,
a beira de mim
num vão.
O presente é entregue
ao ser de paixão
que foge ao ver
que tenho flores em minhas mãos.
São vermelhas demais?
O cheiro é muito forte?
O que te espanta, paixão?
É paixão? Sina?
Ou é só a solidão que te carregou por tempo demais?
Vai ver é só coração.
A cada palavra que escapole
Por cada pensamento em ti,
A cada sorriso dado ao vento
Por cada pensamento em ti,
A cada respiração de funda calmaria
Por cada pensamento em ti,
A cada outra flor tentando ser plantada
Que não consegue pelo pensamento em ti,
Uma flor é entregue de minhas mãos
Ao chão.
Outrora sorrisos
Olhares Miúdos.
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que escapolem algumas juras
Alguns toques
conversas sobre a vida
conversas fingidas
Pra quem, Maria Flor?
Tem vez que as minhas flores
são colocadas pra fora
em doação
mas, me diz Maria Flor, você coroa essas flores pra quem?
aí tu vem e diz: "É pra mim".
Te vejo por aí tirando rosas, de plenitude, do centro do seu corpo
E quando você estende as suas mãos, entregando... Quem espera que as receba, Maria Flor?
Tem vez que penso na sua loucura
aí tu vem e diz: "É só a vontade de doar..."
Maria Flor,
tu aceitas o vento?
tu aceitas um vendaval no seu corpo?
Flores, em vastidão,
na beira de suas mãos.
Entregando a solidão,
a beira de mim
num vão.
O presente é entregue
ao ser de paixão
que foge ao ver
que tenho flores em minhas mãos.
São vermelhas demais?
O cheiro é muito forte?
O que te espanta, paixão?
É paixão? Sina?
Ou é só a solidão que te carregou por tempo demais?
Vai ver é só coração.
A cada palavra que escapole
Por cada pensamento em ti,
A cada sorriso dado ao vento
Por cada pensamento em ti,
A cada respiração de funda calmaria
Por cada pensamento em ti,
A cada outra flor tentando ser plantada
Que não consegue pelo pensamento em ti,
Uma flor é entregue de minhas mãos
Ao chão.
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