Aqui dentro
Faz chuva de noite e de dia
Pra molhar as rosas desse amor que ainda arrodia
Os cabelos daquela que chamo Maria.
Maria do Rosário
Maria da Roseira
Maria um dia falou:
Meu nome é Maria Flor!
Quando Maria chegava
Lá de longe eu já sentia
O cheiro de rosa que ela possuía.
Era um cheiro vermelho e tem vez que era lilás
Até hoje te ofereço
As rosas que Maria Flor trás.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Início, constatação, vida e amor - florido caminho.
Começou pelos olhos.
A pupila preta e miúda, como semente, fez brotar nos olhos ramos de alecrim.
E brotou.
A troca de olhares se fez pelas flores brancas do orvalho do mar.
Depois o vento trouxe, pequenas e finas folhas, para pousarem no pescoço.
E pelo carinho, enraizou.
Através dos pés, raízes seguiam até as coxas, germinavam no sexo pequenas flores vermelhas, como a espinhenta Euphorbia Milii.
E seguiam.
Infiltravam no umbigo e alimentavam seu espírito com néctar.
Doce, leve.
Pisou na primeira rosa.
Pela barriga, as raízes corriam para os seios, e nascia uma flor de jasmin em cada um.
E ventava no pescoço.
Da nuca surgiu uma rosa que, ao receber o vento, deitou nos seus lábios - só restou engolir.
Não demorou pra que o corpo se tornasse uma grande roseira.
Pisou na segunda rosa.
E os botões, mesmo fechados, pulsavam.
O intenso cultivo.
A abundância.
O amor.
E se destrinchou, repartiu, explodiu,
a roseira se abriu por todo corpo.
As pétalas clamavam um espaço no centro do peito,
rasgava
empurrava
acomodava
ternura.
As rosas imensas desaguaram néctar - saia pelos olhos.
"Lembro que quando era menor, olhava pra toda uma figura chamada vó e chorava por tamanho ser o meu amor. Hoje, sinto as rosas que meu corpo cultiva e choro do mesmo amor, somente por plenitude."
Era difícil lembrar dos espinhos, que destroçavam a carne, quando tinham centenas de pétalas desabrochando em frescor.
O coração, pulsante e eufórico, foi coroado por um grande ramalhete.
Pelas veias corriam todas as raízes.
Pelos olhos de alecrim, lhe ofereceram, mais uma vez, uma de minhas rosas.
E toda roseira se coroou.
Pisou na terceira rosa.
Como diz Cecília: "Um passo na rosa, um passo no espinho."
E mesmo que as raízes de seus pés fiquem pontiagudas, a roseira continua regando o espírito com néctar.
Doce, leve.
Todo o corpo num desabrochar,
ritmo, constante, fluído
Todo interior regado a ar
puxa, solta, contrai
Toda flor, do meu corpo, a compartilhar.
A pupila preta e miúda, como semente, fez brotar nos olhos ramos de alecrim.
E brotou.
A troca de olhares se fez pelas flores brancas do orvalho do mar.
Depois o vento trouxe, pequenas e finas folhas, para pousarem no pescoço.
E pelo carinho, enraizou.
Através dos pés, raízes seguiam até as coxas, germinavam no sexo pequenas flores vermelhas, como a espinhenta Euphorbia Milii.
E seguiam.
Infiltravam no umbigo e alimentavam seu espírito com néctar.
Doce, leve.
Pisou na primeira rosa.
Pela barriga, as raízes corriam para os seios, e nascia uma flor de jasmin em cada um.
E ventava no pescoço.
Da nuca surgiu uma rosa que, ao receber o vento, deitou nos seus lábios - só restou engolir.
Não demorou pra que o corpo se tornasse uma grande roseira.
Pisou na segunda rosa.
E os botões, mesmo fechados, pulsavam.
O intenso cultivo.
A abundância.
O amor.
E se destrinchou, repartiu, explodiu,
a roseira se abriu por todo corpo.
As pétalas clamavam um espaço no centro do peito,
rasgava
empurrava
acomodava
ternura.
As rosas imensas desaguaram néctar - saia pelos olhos.
"Lembro que quando era menor, olhava pra toda uma figura chamada vó e chorava por tamanho ser o meu amor. Hoje, sinto as rosas que meu corpo cultiva e choro do mesmo amor, somente por plenitude."
Era difícil lembrar dos espinhos, que destroçavam a carne, quando tinham centenas de pétalas desabrochando em frescor.
O coração, pulsante e eufórico, foi coroado por um grande ramalhete.
Pelas veias corriam todas as raízes.
Pelos olhos de alecrim, lhe ofereceram, mais uma vez, uma de minhas rosas.
E toda roseira se coroou.
Pisou na terceira rosa.
Como diz Cecília: "Um passo na rosa, um passo no espinho."
E mesmo que as raízes de seus pés fiquem pontiagudas, a roseira continua regando o espírito com néctar.
Doce, leve.
Todo o corpo num desabrochar,
ritmo, constante, fluído
Todo interior regado a ar
puxa, solta, contrai
Toda flor, do meu corpo, a compartilhar.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Mulher caranguejo.
Na carapaça do caranguejo naveguei,
eis o susto.
Vieram olhos, tremor, odor,
eis o susto.
Chegou o íntimo trazendo as veias vermelhas de tanta dor,
eis o susto.
és o susto.
Se tornou metade: Era metade caranguejo, a outra parte era mulher.
Não que a mulher não fazia parte do caranguejo,
caranguejo é o susto.
O tocar na carapaça já é muito
és susto.
Os dedos famintos querem
O olhar sedento pede
A língua devagar se move
mas, como pode, caranguejo, se tu és susto?
O toque vinha
A pele afundava
O desejo ardia
mas, como pode, mulher caranguejo, se tu és susto?
O choro transbordará
A alma ficará com o centro ereto
A coluna se encaixará no lugar
Se fez humanx.
mas, você, mulher caranguejo, continua no susto de sua carapaça.
és susto
porque fora da carapaça ainda é frio demais.
eis o susto.
Vieram olhos, tremor, odor,
eis o susto.
Chegou o íntimo trazendo as veias vermelhas de tanta dor,
eis o susto.
és o susto.
Se tornou metade: Era metade caranguejo, a outra parte era mulher.
Não que a mulher não fazia parte do caranguejo,
caranguejo é o susto.
O tocar na carapaça já é muito
és susto.
Os dedos famintos querem
O olhar sedento pede
A língua devagar se move
mas, como pode, caranguejo, se tu és susto?
O toque vinha
A pele afundava
O desejo ardia
mas, como pode, mulher caranguejo, se tu és susto?
O choro transbordará
A alma ficará com o centro ereto
A coluna se encaixará no lugar
Se fez humanx.
mas, você, mulher caranguejo, continua no susto de sua carapaça.
és susto
porque fora da carapaça ainda é frio demais.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Mandinga.
Do belisco ao mar:
Em todo aquele seu mar,
Meu corpo como magma
estala e esfumaça
a tua pele.
Tu como lua
Eu como um céu, infinito e azul,
pela minha infinita fome
do seu infinito nome
que ressoa como eco
em caverna de homi.
- naquele tempo dava
pra ver bem as estrelas
não existia nenhum renome. -
Tu venha e me some.
Diga: Tome Todo Meu Corpo De Mar
Pra Derreter E Desaparecer No Seu De Magma.
Numa dança,
eu fervo a água de todo seu mar
até se transformar
em puro ar.
(esse ar, formado pela imensidão de um mar e o fervor de um intenso magma, é o que tenho respirado)
Em todo aquele seu mar,
Meu corpo como magma
estala e esfumaça
a tua pele.
Tu como lua
Eu como um céu, infinito e azul,
pela minha infinita fome
do seu infinito nome
que ressoa como eco
em caverna de homi.
- naquele tempo dava
pra ver bem as estrelas
não existia nenhum renome. -
Tu venha e me some.
Diga: Tome Todo Meu Corpo De Mar
Pra Derreter E Desaparecer No Seu De Magma.
Numa dança,
eu fervo a água de todo seu mar
até se transformar
em puro ar.
(esse ar, formado pela imensidão de um mar e o fervor de um intenso magma, é o que tenho respirado)
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Uma dança entre a vida e quadris.
É como se exigisse de mim ser ainda mais mulher.
É isso. É ser mulher.
Mas é ser mulher com vento no rosto
E desse vento não vem só frescor
Ele vem tentando romper a cara.
Mas é ser mulher com rosto de aço
pro vento só trazer embalo
E de noite, quando os lençóis vão ao chão,
pouco importa a pele ser ou não como pêssego.
Mas é ser mulher com quadris como eles são
Quadris que quebram - porque qualquer quadril se quebra.
Ou melhor, quadris se soltam.
Mas é ser mulher de qualquer quadril que possa se soltar
pra vida dançar com seus quadris, mulher.
E quando o acaso parecer duro demais,
seu ventre saberá que precisará ser mole,
pra vida e seu ventre dançarem uma valsa, uma salsa...
Mas é ser mulher sabendo onde se esconde
sua língua que diz.
sua língua que pode.
E quando as raízes ousarem prendê-la,
encontrará ternura ao dizer onde toda raiz se finca.
E se enrijecerá de baixo pra cima em delírio.
Mas é ser mulher sabendo se guiar.
Mas é ser mulher sabendo cuidar do que não possui.
Mas é ser mulher sabendo "a dor e a delícia de ser o que é".
Mas é ser mulher sabendo que o que é, não é, só esteve.
é perceber que se renova a cada respiração quando é deixado renovar.
Mas é ser humano.
Cuidando de si na valorização do seu pranto,
no toque das tuas próprias mãos.
E, lá, quando lhe causar sossego
,no centro do corpo,
goze do seu riso de agradecimento
aos quadris que por fim dançaram
com a sua vida.
É isso. É ser mulher.
Mas é ser mulher com vento no rosto
E desse vento não vem só frescor
Ele vem tentando romper a cara.
Mas é ser mulher com rosto de aço
pro vento só trazer embalo
E de noite, quando os lençóis vão ao chão,
pouco importa a pele ser ou não como pêssego.
Mas é ser mulher com quadris como eles são
Quadris que quebram - porque qualquer quadril se quebra.
Ou melhor, quadris se soltam.
Mas é ser mulher de qualquer quadril que possa se soltar
pra vida dançar com seus quadris, mulher.
E quando o acaso parecer duro demais,
seu ventre saberá que precisará ser mole,
pra vida e seu ventre dançarem uma valsa, uma salsa...
Mas é ser mulher sabendo onde se esconde
sua língua que diz.
sua língua que pode.
E quando as raízes ousarem prendê-la,
encontrará ternura ao dizer onde toda raiz se finca.
E se enrijecerá de baixo pra cima em delírio.
Mas é ser mulher sabendo se guiar.
Mas é ser mulher sabendo cuidar do que não possui.
Mas é ser mulher sabendo "a dor e a delícia de ser o que é".
Mas é ser mulher sabendo que o que é, não é, só esteve.
é perceber que se renova a cada respiração quando é deixado renovar.
Mas é ser humano.
Cuidando de si na valorização do seu pranto,
no toque das tuas próprias mãos.
E, lá, quando lhe causar sossego
,no centro do corpo,
goze do seu riso de agradecimento
aos quadris que por fim dançaram
com a sua vida.
Vem cá.
Vem. Aqui, no meu colo, pode pisar na grama.
Fumar nesse local fechado, que é meu corpo, não é proibido.
Vem que no meu peito não existem conclusões.
Vem cá, longe dessa gritaria
e dos discursos.
Vem, vem olhar comigo o céu.
Vem pensar o melhor que as pessoas tem pra TROC/DO-ar.
Vem descobrir que não é uma luta,
que o que sai da boca não só atinge,
afaga.
O olhar é feito um peixinho
que navega nesse corpo
e depois vira um passarinho preto
que só flutua.
Vem. Vem com o olhar que enche por inteiro.
Descobre comigo que esse falatório não é dito por esses olhos,
é pelo ego.
Vamos trocar essa certeza pelas coisas indizíveis,
Essa verdade pelo riso,
A conclusão, que não será estagnada, pelo cheiro.
Vem cá, nós damos uma chegada ali na calçada,
Saímos desse lugar onde nem os pés sabemos onde botar.
Vem cá, o vento é mais fresco daqui onde eu mostro o rosto.
Fumar nesse local fechado, que é meu corpo, não é proibido.
Vem que no meu peito não existem conclusões.
Vem cá, longe dessa gritaria
e dos discursos.
Vem, vem olhar comigo o céu.
Vem pensar o melhor que as pessoas tem pra TROC/DO-ar.
Vem descobrir que não é uma luta,
que o que sai da boca não só atinge,
afaga.
O olhar é feito um peixinho
que navega nesse corpo
e depois vira um passarinho preto
que só flutua.
Vem. Vem com o olhar que enche por inteiro.
Descobre comigo que esse falatório não é dito por esses olhos,
é pelo ego.
Vamos trocar essa certeza pelas coisas indizíveis,
Essa verdade pelo riso,
A conclusão, que não será estagnada, pelo cheiro.
Vem cá, nós damos uma chegada ali na calçada,
Saímos desse lugar onde nem os pés sabemos onde botar.
Vem cá, o vento é mais fresco daqui onde eu mostro o rosto.
Exercício com rosa, sonho, carinho e Cecília.
Colhi uma rosa, no caminho para o parque, num dia de sol.
A presenteei.
Era uma rosa para o apresso. Cada pétala banhada em polén de um doce carinho.
Eis que chega até mim, um poema de Cecília Meireles, que faz meus olhos sorrirem:
"Essa rosa, além de cor e perfume, trazia amor. O amor às vezes pode estar numa rosa."
O que depositei na rosa, morrendo com ela ou não, se manteve em uma constante linha - pois a música, cantada para levar às pétalas seus timbres de plenitude, veio de dentro.
E quando vem de dentro essa rosa é plantada no coração.
Parte do meu vislumbre: Poesias Completas de Cecília Meireles, página 184, Exercício com rosa, amor, música e morte.
Outra parte do meu vislumbre: A capa desse livro! (uma mulher de linhas verdes num papel branco).
A presenteei.
Era uma rosa para o apresso. Cada pétala banhada em polén de um doce carinho.
Eis que chega até mim, um poema de Cecília Meireles, que faz meus olhos sorrirem:
"Essa rosa, além de cor e perfume, trazia amor. O amor às vezes pode estar numa rosa."
O que depositei na rosa, morrendo com ela ou não, se manteve em uma constante linha - pois a música, cantada para levar às pétalas seus timbres de plenitude, veio de dentro.
E quando vem de dentro essa rosa é plantada no coração.
Parte do meu vislumbre: Poesias Completas de Cecília Meireles, página 184, Exercício com rosa, amor, música e morte.
Outra parte do meu vislumbre: A capa desse livro! (uma mulher de linhas verdes num papel branco).
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