Por baixo do travesseiro se escondeu a mão.
Pelos gritos não dados, pela intimidade não dita.
Vou deixando, não meu corpo - como disse Clarice, mas partes de todo meu ser pelo caminho.
Vou deixando meus cabelos no suor, e trazendo os seus debaixo da minha roupa.
Vou cedendo a minha pele, minha língua, meu suspiro.
Enfio na sacola o nariz que franze quando as mãos não conseguem mais falar.
E a inquietude.
E todos os fios desgrenhados, do tempo, que se entrelaçam pelo ar,
,que entram e saem,
,quentes a soprar.
Faço cair todas as camadas pra finalmente encontrar um miolo - que agora só leva o anel, que deixei pelo caminho, no dedo.
Deixei pedaços do meu colo, do meu útero, da minha pele.
Da minha saliva. Do pescoço. Do sorriso, dou sorriso.
Deixei pedaços do meu carinho, do afago, trago a trago, a sair da boca.
Deixei um beijo nas costas, um cheiro na nuca e olhos pequeninos embaixo das cobertas.
Vou me deixando por aí. Na janela, no chuveiro, na esquina.
Nós só temos o que nos é dado. (eu tenho alguns carinhos)
E dar amor é um dos modos de ser livre nele mesmo.
Não só sou o que dou, mas só dou o que tenho.
pra te dar, tanto amor, eu tenho, e
O recorte que vc fez, de forma tão poética, parece um mosaico.
ResponderExcluirReferências construindo imagens pouco a pouco. Da pele, do corpo, da alma.
Detalhes que unem-se formando algo maior e mais denso.
Mandou muito bem! Ótimo texto
Bjos
Se deita nesse encaixe maior e denso!
ExcluirAgradeço, Brenno, fico feliz.
Ohh, Tainá... que bonito. Imagem por imagem...
ResponderExcluirAgradeço a essas doces flores de maio, Maíra, que me servem de inspiração para palavras aqui escritas. : )
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