O sangue puro escorria dos meus lábios.
Lábios pintados de vermelho.
Entregue ao vermelho - o dia que me fiz mulher estava.
No espelho via vermelho, no meu corpo e na minha luz.
Minha pele, elástica e adaptável, esperava toques com precisão; toques vermelhos.
Meu corpo consciente, em fogo ardente, estava em plena prontidão.
Eu me fiz mulher quando pulei no abismo do destino,
sem precisar de um hino.
Meu hino era meu sangue, meu corpo, minha alma.
Meu hino eram meus pelos, meus pés e mãos.
Eram meus seios, meus dedos, antebraço e tendão.
O dia que me fiz mulher não contorci meu corpo de insegurança, nem sequer tive que controlar aquela agonia nas cutículas das mãos.
Eu avistei o céu e soube que ele poderia ser a cama que me deitaria e mancharia tudo de vermelho.
No instinto da sacerdotisa, me fiz mulher em todas as cartas do tarot, peças de bardot, filmes de horror.
Eu me fiz mulher em toda ponta de esquina.
me fiz gente
Nenhum comentário:
Postar um comentário