quinta-feira, 28 de junho de 2012

Se eu colocasse "fixos" seria muita fixação?

Mantenho o olhar fixo deixando toda a sujeira que corre pela minha cabeça se propagar.
É uma constante.
A vida corrida vai passando diante dos meus olhos fixos e todo sinal de vida que ainda consigo ter é por perceber uma melodia calma que embala os poucos movimentos do meu corpo. A melodia vai mudando de tom, e meus olhos continuam fixos. O trem vai deslocando da plataforma, meus olhos estão fixos. Do parapeito da janela eu vejo um acidente e a adrenalina esquece do manifesto. E meu corpo continua fixo. Morto e cansado.
A voz grave e veluda diz pra dançar com outro par pra variar uma dor que teima em aparecer, por incrível que pareça que sempre parte de você. Pros meus olhos, antes fixos, agora verem. Enxergarem a vida corrida que dança lenta. Sentirem com vontade de sentir, mas meu corpo cansado insiste em manter minha face fria. Minhas mãos, que antes te seguravam, agora jogadas. Os olhos, antes em você, agora fixos. Fixos em mim.
Colocados em mim como uma forma de te abafar.
Fixos no ser que eu julgo ser puro.
Puro por acreditar ao ponto de estar completamente acabado, mas se outro alguém aparecer, a mesma "confiança" vai estar lá.
Puro e fielmente ingênuo.
Um ser dado e capaz de mergulhar.
De amar sem grandes motivos e nenhum.

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