São fotografias que se repetem sempre em todas minhas fases, só mudam os personagens. Um deles possui pés, que andam por aí tropeçando pela vida e de doloridos param pra repousar nas mãos de outro.
Mãos que se fecham do dia pra noite, sem previsão como a lua, mas se forçar o olhar consegue mira-las por meio de nuvens finas, forrando um tamanho lençol azul.
Lençol que tantas vezes me deitei te exigindo, querendo o que nem eu sabia o que era.
Quantas vezes me peguei olhando esse lençol e chamando por você? Inúmeras.
"Que o vento leve meu nome..." Pois eu mesma já levei tantas vezes, abria minha porta e te chamava pra entrar. Até o dia que você não entrou e eu fiquei atrás da porta fazendo súplicas pra campainha tocar de novo, tinha certeza que você ficou do outro lado ouvindo meus suspiros, mas não se rendeu e muito menos bateu na porta.
Saiba que todos os dias ao mesmo horário eu a deixava no trinco, colocava uma música e esperava você chegar. Perdi as contas das vezes que cochilei na cadeira.
Se eu fechar, estarei fechando na minha própria cara. Daquelas vezes que batem com tanta força que os cabelos chegam a pular pra trás.
Vou estar fugindo de mim.
É uma vontade que custam suprir, não faço a mínima do que você tem. Mas você tem.
O tempo já passou e meus pés já ficaram nas mãos de algumas que envergonhadas diziam:
- Posso entrar?
- Fique a vontade.
Mas a porta ainda continua no trinco, no mesmo horário, no mesmo lugar.
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