Ontem, passando pelo eixo monumental, avistei o congresso.
Brasília é uma cidade bonita, a donzela, que encanta os olhos das que a percebem. Parece que sou transportada pra outro tempo-espaço quando vejo suas sutilezas.
No meio de toda essa estrutura, de largas raízes, grande porte, refletores iluminavam as paredes do congresso em vermelho e rosa. Achei curiosa a escolha de cores, levando em conta a atual conjuntura do governo. Mas também o azul, que tanto me serena, segue o caminho da inércia e da acomodação, então acho que qualquer cor me levaria ao caos.
O rosa que firmaria o amor se revelou estranho aos meus olhos, desconfiei.
O vermelho me trouxe sangue, desespero, poder e agonia.
Vi o palácio do planalto todo amarelo e pensei na miséria que ocupa essa casa.
Os ministérios estavam em laranja como se estivessem em constante trabalho.
O resto tudo verde e amarelo.
Me sinto traída.
Minha desconfiança anda ao meu lado em todos os lugares que coloco os pés nesses lugares. Eu sei que não lido com o coletivo, eu lido com um só, e por isso corro perigo.
A ação vem por mim e por todos, sempre.
Na próxima vez, imaginarei tudo aquilo branco.
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