sábado, 26 de setembro de 2015

Observações.

As pessoas que já conheceram a morte possuem uma calma que antepôs os olhos nos olhos com a pós vida.
A morte não foi preta nem branca, alegre nem triste, a morte foi uma mestra que simplesmente apareceu pra mim em seu estado natural, cumpriu seu papel e se foi. Justa, sábia e pontualíssima.
Desde então, entre minhas vidas e mortes, eu pareço reconhecer aqueles que também já a viram.
Nos olhamos como grandes conhecidos, e o que impera é o respeito, por saber exatamente quão forte isso também foi em nosso âmago.
As pessoas que já se depararam com o amor profundo compreendem a natureza das relações em geral.
Escrevo isso por me parecer que o subjetivo dos arrepios é onde a procura se dá, os olhos que se fundem de uma forma inexplicável um ao outro, esse me parece o caminho pro coração.
Desde que tive que me refazer inteira pelo amor profundo ter se fundido a minha alma, eu também pareço reconhecer aqueles que já o sentiram.
Em nosso encontro nada precisa ser dito, é algo que transcende o gosto das coisas, e o que impera é o respeito, por saber exatamente quão forte isso foi em nosso âmago - assim como a morte.
Hoje, pra mim, o amor e a morte vem do mesmo lugar.

O céu já me parece mais cinza.

Se hoje chovesse eu saberia que o céu teve pena
Da minha palidez
Eu tô no meio do mar, sozinha
E tem ondas batendo no meu rosto a cada mudança de maré
Eu sinto o áspero do sal
Queimando minha pele
Entrando pelos meus ouvidos
São ondas no rosto
A todo momento

Se hoje chovesse eu saberia que a rua chamava meu nome
Gritando
O que é o mar se nem Janaína eu consigo chamar?
Eu adentro a casa de minha mãe
Sou atravessada por ondas
e'inda clamo por chuva?
Onda onda onda

Se o céu morresse de pena da minha dor
Choveria
No mar
Na terra
Nas matas
No morro
No fogo e
Em mim

Ai, se hoje chovesse
A calmaria
A mudança que vem lá de cima
Encheria meu copo com sua água limpa
E beberia chamando por Janaína
Pra meus cabelos
se unirem aos seus
Por fim