As flores nascem
assim como nascem, morrem.
As flores desaguam
como o rio vermelho, que vem limpar, escorre entre minhas pernas.
Flores se purificam,
renovam, tornam-se.
Tem gente que parece flor
de vaso
de mato
de jardim
de pico
de asfalto
levando cada uma um odor, cor, sabor.
Tem flor que parece céu
nasce amarela
deita laranja
e murcha de escuridão
Tem rosa que parece amor
brota nos olhos
faz botão na barriga
floresce no peito
e vomita pela boca
Tem caule que trás raiz
e tampa os olhos
e enraíza na terra
e não sai do lugar
e caule não para em pé sem raiz
e ninguém sabe que raiz cortar
e ninguém sabe que raiz sustenta a flor inteira
e tem gente (que parece flor, enfim)
Abra os olhos,
deixe a flor morrer - assim como morre o dia.
Tire as rosas da boca,
e me diga que não és nada casta.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Pássaros.
De doer se entende
mas e de si?
De quando os olhos procuram o resto das fagulhas
eu entendo
mas e de mim?
Quando saem facas da boca, apunhalam
mas e os punhais de si?
As rosas florescendo, desde os pés, perfumam
onde brotam as de si?
A que ponto o si começa a ser nós
sem pudor de voz
quando o interior sai da casca de noz?
um rouxinol de bicos atados
numa gaiola branca
não canta.
mas no céu imenso pode se fazer festa em todo lugar
e a música que vem é de um pequeno piaf
de olhos grandes
cabelo caracol
boca que diz
e rir quando quer.
mas e de si?
De quando os olhos procuram o resto das fagulhas
eu entendo
mas e de mim?
Quando saem facas da boca, apunhalam
mas e os punhais de si?
As rosas florescendo, desde os pés, perfumam
onde brotam as de si?
A que ponto o si começa a ser nós
sem pudor de voz
quando o interior sai da casca de noz?
um rouxinol de bicos atados
numa gaiola branca
não canta.
mas no céu imenso pode se fazer festa em todo lugar
e a música que vem é de um pequeno piaf
de olhos grandes
cabelo caracol
boca que diz
e rir quando quer.
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