sexta-feira, 30 de maio de 2014

Con-versos com o vento.

costumo gostar da meia luz
da minha cama, pequena e enraizada no chão, pouco se vê da janela.
só nas duras beiradas percebo as luzes da cidade
casas, carros, postes, o pico da torre avermelhado
mas boa parte, da minha janela, vem com o céu
e com pessoas que cruzam o horizonte
deixando pra trás essas terras - viajam pelo preto imenso que carrega pequenos pontos de luz.
o pouco de laranja que vem, como chamas de vela, é da cidade acesa
regam junto com as estrelas acesas, o céu,
formando a meia luz.


costumo gostar do ar limpo
que refresca as narinas que nem hortelã.
pesa a densidade certa sustentada pelos poros
não tem o sujo
não tem o lúcido,
tem ar.
nem o incenso de yemanjá, grande rainha aiocá
que vem me navegando por entre as páginas de jorge amado
consegue se comparar ao
puro ar.
o ar da noite é frio, escondido no rabo de olho, e só.
é o ar da hora que o vento pode vagar por aí e pensar consigo mesmo
por quais bandas andar
que cabelos vai refrescar
que corpos vai embalar
por onde vai correr forte e cantar
nessa hora aí, quando as luzes do céu apagam, e ele fica à meia luz.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Solta-puxa.

sol no lombo
faz dourar
a pele toda
escorregadia
de suor

o suor pinga
qualquer lembrança
que ouse vagar pelo peito

só se ouve urros
que traduzem esse corpo inquieto
só se vê estrelas laranjas
pela luz do sol que pousa nos olhos interiores

tem pele roçando
nuca dobrando
pele saltando

joelhos se encontram
pra cada vez mais plugar-se em si.
plugar-se a si
deixar-me a mim

se junta no ato
se solta no abraço
pras outras pernas tocar
outros versos formar

quando juntamos e soltamos a si
sabemos plugar e deixar aquelx que passar.

Extremos - Um corpo pró-ativo.

Pico Alto Salto
Mato Rasgo Corto
Colo Choro Amolo

Mudança mete medo
deixa o passo assim meio cabreiro
mas se nem eu tenho controle de mim,
como uma corrente na minha garganta há de prender?

A inconsequência é não planejar o futuro?
Pois, me diz... Como ponteiam seus relógios?

Pra que toda essa dureza
Pra onde foi toda beleza
de poder só caminhar.

Eu me torno irresponsável
inconsequente, miserável
se só com as minhas pernas pelo mundo andar?

Pois não tem quem segure
toda mudança que cure e dure
onde a vida vem mostrar.

Só seus próprios olhos
podem ver o que vai passando
até descobrir por qual caminho quer viajar.

Em algumas mãos tu simpatizas abraçar
Em outras a estrada é tão distante
que é preciso separar.

Sigamos, apesar de nossas ruas distintas,
juntas em coração
é ruim demais
podar uma alma com um não.

A mudança me leva pra qualquer lugar coberto por céu.
Não é jogado assim, são consequências de mim.