segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Uma análise de trem

O barulho constante, urbano e agudo do trem se juntava com as janelas pretas, mostrando pequenas luzes brancas rapidamente que iluminavam o túnel. Enquanto isso, um casal apaixonado trocava carícias ocupando dois bancos preferenciais com mãos aqui e ali. Um homem apoiava os pés em uma caixa com bananas, descobrindo o conforto para tirar um cochilo de braços cruzados. As línguas afiadas do casal se conheciam cada vez mais. E tudo o que passava pelos olhos de quem isso escreve era uma paisagem. Seus olhos atentos sentiam cada olhar, mas sabiam que os observados só buscavam sua própria felicidade e realização, nada além disso. Nada além dos seus umbigos.
Cada um no seu, sem tocar ou procurar o toque do outro.
O casal se desfez e a moça saiu cantarolando do trem, o homem das bananas agora fixou seu olhar em um ponto e ficou imerso em seus pensamentos. Ou no seu cansaço. Ou nos dois.
Todo esse julgamento só teve início por eu me encontrar perdida no meu cantarolar ao estar em seu contato, e ter mergulhado em mim (esperando uma caixa de bananas) pelos meus sonhos encenarem o que não desejo ver.

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