domingo, 23 de setembro de 2012

"Aspas"

Tudo foi acontecendo.
Um dia eu te mostrei todos os livros que eu guardava, aqueles que minha vó me deu incentivando minha leitura, pois não conseguiu fazer o mesmo com meu pai. Eu também te disse que gostava de ouvir músicas suaves antes de dormir porque, quando era pequena, tinha muito medo devido a umas pessoas que me apareciam, a música me acalmava, até hoje eu tenho esse hábito... Mas acordo no meio da noite pra desligar porque as notas agudas despertam meu sono. Eu também te falava muito da minha vó, e de como ela era alguém totalmente admirável pra mim. Você dizia da sua e de como chorou, agarrada a sua mãe e irmã, em uma cama quando ela se foi. Eu te falava como o céu ficava bonito da minha janela. Você me dizia que seu quarto só tinha uma janela pequenina e só via o prédio da frente, por vezes até o vizinho pelado no quarto. Eu ficava incomodada com o suor caindo na minha testa, meu cabelo alto e esvoaçado, achando que estava o total diabo em forma de gente. Aí você me dizia: "Por que logo eu?". Você ria do meu complexo por resfenol. Eu ria quando você falava com uma voz aguda com sua cachorrinha. Você me contava seus casos tão irritada... Enquanto eu olhava o céu todo coberto pelo preto das noites. Você me mostrava seu orgulho e eu te falava sobre como a cor do céu já estava mudando porque conversávamos faziam cinco horas. Eu, com todo meu receio, tentava te mostrar o quanto valia a pena ir atrás de quem se amava, não importando o quão errada a pessoa estaria. Aprendi tal coisa ao me deixar te amar. E você a cada palavra me surpreendia.
Fomos descobrindo manias particulares, como as pessoas fazem umas com as outras. Isso são só detalhes. Ossos do ofício.
Embora fosse prazeroso pra mim descobrir mais de você, eu só me concentrava nos teus olhos miúdos penetrados nas minhas pupilas. Só me restava sorrir as olhando por me sentir tão pura. Tão em contato comigo.
Suas manias ficavam tão pequenas diante disso. E as minhas também.
Não espero procurar por notícias suas pra confortar meu peito, te quero bem. Bem como o que eu sinto por você.
Eu me confortava por ouvir sua respiração. De enrolar meus dedos no seu cabelo.
Agora ficam seus detalhes e minha janela com uma boa vista. Eu fico por dentro ouvindo minhas músicas de chuva, que agora não são mais tão agradáveis de ouvir, devido a me lembrar em como dormia aliviada por ter acabado de ouvir sua voz.
Eu te quero bem. Com tudo o que resta de você em mim, com todas suas notas perfeitas que ecoam nos meus ouvidos e "fazem me apaixonar de novo por você". Te quero bem, pois "é como se eu sempre pudesse te ver".

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