Eu só quero escrever. Meu não encontro me faz escrever.
Eu só quero ver o céu num azul como ele sempre foi.
Eu quero olhar no fundo dos teus olhos e dizer que tudo passou.
Eu quero dizer que águas escorrem de todos meus lados, e embora eu lace meu corpo, ele ainda insiste em você. Minha alma clama.
Eu me quero. Como nunca fui, preciso.
Sei diferenciar entre o azul mais claro e o seu azul.
O exagerado escorre aos meus pés e por isso não sei lidar. O pleno vem e me conquista. O ingênuo, inadequado, sensitivo.
Eu continuo a escrever e o céu já ficou branco, mas ainda penso em nós. Não me importa o desejo, escrevo porque posso. Desejo porque posso. Minha mente está alta porque posso. Sou minha.
Faço de acordo com a vontade, e no outro que me para adiante, já me vê como outra quem percorre. Na constante dos segundos, faço de mim um caleidoscópio, mudando a imagem no olhar e sentindo as mesmas águas. Eu decepciono, não sei cuidar, minhas palavras não são invadidas muitas vezes. Mas com todos esses defeitos sou quem impulsiona, criador de caminhos.
Meu céu se abre e me lembro do seu cheiro.
Não me importa o que já percorre outro percurso para quem consegue aliviar sua tensão somente pelo ar que sai de você. A concha que te cobre durante sua morbidez.
Sou minha, Me sinto.
Não me sinto adequadamente composta a qualquer grupo, eu só sinto.
Sinto a dor que você despreza por medo.
Eu sinto aquele que mais sente.
eu te sinto.
eu sinto.
Minha alma clama por algum lazer, clama por questionar filosofias. Meus dialetos retraem almas confusas com quem costumo me relacionar. Lido com o pouco e com o muito.
E como o pouco me diz. Estando o pouco pra lá de longe ou como déjà vu. Sinto.
A alma me ferre. A alma grita. Implora e de nada adianta.
Ah, mas espero a reação e o pouco consegue me mudar. A vida anda e não te espera. As mudanças que fazem a vida valer.
O contato foi acionado e não ligo. A cada muda tenho um jardim à espera.
Sua precaução dedura as mais formas de prazer.
E o céu continua branco. Embora não lembre os dias do meu coração ocupado, me lembro de dias em que dormia tranquila. A chuva conseguia guiar e pouco me importava confortar ou não.
O branco me remete ao seu brando, mas agora, já é tarde, amor.
Agora eu me sinto branda. Nossa carne só anda sentida por fora, no suor dos corpos, porque por dentro o céu despertou o desespero - a forma com que te sentia. Mas espero, que em nenhuma gota meu peito chore pela falta dos teus braços. Meu amor é meu - e só meu.
O quanto ainda tenho que dizer que sou minha?
Meus ouvidos transmitem uma valsa ao te ver, meu interior por dentro faz movimentos lentos.
Meu amor, eu me permito as mudanças da vida em toda dobra de esquina. Mas confesso a mim mesma, deitada no travesseiro que um dia você suou, que a mudança -que cansada espero- pelo teu coração arredio está difícil de acontecer. A cobrança feita por mim rasga. Aquela dor que não sei nomear é o pavor que eu temo sentir novamente. Espero o dia em que não me preocupe com seu riso.
Cresci pro além ao seu lado. Repito que isso foi meu, afim de acreditar. Em meados da tortura da ditadura sufocante, o que se era feito aos que diziam o que sentiam, foi desumano. Muitos desacreditaram em toda uma vida. Outros usaram da psiquê, disseram a mente que nunca teria acontecido o que lhe foi feito. Era um modo de sobreviver.
Esse é o meu modo. Torturo minha mente negando sua existência. Pra Sobreviver.
Amo sua alma, mas por enquanto, digo ser minha.
domingo, 23 de setembro de 2012
"Aspas"
Tudo foi acontecendo.
Um dia eu te mostrei todos os livros que eu guardava, aqueles que minha vó me deu incentivando minha leitura, pois não conseguiu fazer o mesmo com meu pai. Eu também te disse que gostava de ouvir músicas suaves antes de dormir porque, quando era pequena, tinha muito medo devido a umas pessoas que me apareciam, a música me acalmava, até hoje eu tenho esse hábito... Mas acordo no meio da noite pra desligar porque as notas agudas despertam meu sono. Eu também te falava muito da minha vó, e de como ela era alguém totalmente admirável pra mim. Você dizia da sua e de como chorou, agarrada a sua mãe e irmã, em uma cama quando ela se foi. Eu te falava como o céu ficava bonito da minha janela. Você me dizia que seu quarto só tinha uma janela pequenina e só via o prédio da frente, por vezes até o vizinho pelado no quarto. Eu ficava incomodada com o suor caindo na minha testa, meu cabelo alto e esvoaçado, achando que estava o total diabo em forma de gente. Aí você me dizia: "Por que logo eu?". Você ria do meu complexo por resfenol. Eu ria quando você falava com uma voz aguda com sua cachorrinha. Você me contava seus casos tão irritada... Enquanto eu olhava o céu todo coberto pelo preto das noites. Você me mostrava seu orgulho e eu te falava sobre como a cor do céu já estava mudando porque conversávamos faziam cinco horas. Eu, com todo meu receio, tentava te mostrar o quanto valia a pena ir atrás de quem se amava, não importando o quão errada a pessoa estaria. Aprendi tal coisa ao me deixar te amar. E você a cada palavra me surpreendia.
Fomos descobrindo manias particulares, como as pessoas fazem umas com as outras. Isso são só detalhes. Ossos do ofício.
Embora fosse prazeroso pra mim descobrir mais de você, eu só me concentrava nos teus olhos miúdos penetrados nas minhas pupilas. Só me restava sorrir as olhando por me sentir tão pura. Tão em contato comigo.
Suas manias ficavam tão pequenas diante disso. E as minhas também.
Não espero procurar por notícias suas pra confortar meu peito, te quero bem. Bem como o que eu sinto por você.
Eu me confortava por ouvir sua respiração. De enrolar meus dedos no seu cabelo.
Agora ficam seus detalhes e minha janela com uma boa vista. Eu fico por dentro ouvindo minhas músicas de chuva, que agora não são mais tão agradáveis de ouvir, devido a me lembrar em como dormia aliviada por ter acabado de ouvir sua voz.
Eu te quero bem. Com tudo o que resta de você em mim, com todas suas notas perfeitas que ecoam nos meus ouvidos e "fazem me apaixonar de novo por você". Te quero bem, pois "é como se eu sempre pudesse te ver".
Um dia eu te mostrei todos os livros que eu guardava, aqueles que minha vó me deu incentivando minha leitura, pois não conseguiu fazer o mesmo com meu pai. Eu também te disse que gostava de ouvir músicas suaves antes de dormir porque, quando era pequena, tinha muito medo devido a umas pessoas que me apareciam, a música me acalmava, até hoje eu tenho esse hábito... Mas acordo no meio da noite pra desligar porque as notas agudas despertam meu sono. Eu também te falava muito da minha vó, e de como ela era alguém totalmente admirável pra mim. Você dizia da sua e de como chorou, agarrada a sua mãe e irmã, em uma cama quando ela se foi. Eu te falava como o céu ficava bonito da minha janela. Você me dizia que seu quarto só tinha uma janela pequenina e só via o prédio da frente, por vezes até o vizinho pelado no quarto. Eu ficava incomodada com o suor caindo na minha testa, meu cabelo alto e esvoaçado, achando que estava o total diabo em forma de gente. Aí você me dizia: "Por que logo eu?". Você ria do meu complexo por resfenol. Eu ria quando você falava com uma voz aguda com sua cachorrinha. Você me contava seus casos tão irritada... Enquanto eu olhava o céu todo coberto pelo preto das noites. Você me mostrava seu orgulho e eu te falava sobre como a cor do céu já estava mudando porque conversávamos faziam cinco horas. Eu, com todo meu receio, tentava te mostrar o quanto valia a pena ir atrás de quem se amava, não importando o quão errada a pessoa estaria. Aprendi tal coisa ao me deixar te amar. E você a cada palavra me surpreendia.
Fomos descobrindo manias particulares, como as pessoas fazem umas com as outras. Isso são só detalhes. Ossos do ofício.
Embora fosse prazeroso pra mim descobrir mais de você, eu só me concentrava nos teus olhos miúdos penetrados nas minhas pupilas. Só me restava sorrir as olhando por me sentir tão pura. Tão em contato comigo.
Suas manias ficavam tão pequenas diante disso. E as minhas também.
Não espero procurar por notícias suas pra confortar meu peito, te quero bem. Bem como o que eu sinto por você.
Eu me confortava por ouvir sua respiração. De enrolar meus dedos no seu cabelo.
Agora ficam seus detalhes e minha janela com uma boa vista. Eu fico por dentro ouvindo minhas músicas de chuva, que agora não são mais tão agradáveis de ouvir, devido a me lembrar em como dormia aliviada por ter acabado de ouvir sua voz.
Eu te quero bem. Com tudo o que resta de você em mim, com todas suas notas perfeitas que ecoam nos meus ouvidos e "fazem me apaixonar de novo por você". Te quero bem, pois "é como se eu sempre pudesse te ver".
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Pequenos
Eu sei que esses detalhesNão compreendo bem a transição que ocorre até eu admirar alguém. O nosso tempo corrido deslancha e cada um fica tão cheio de si, tão preocupado em como as mazelas do mundo cairão em suas cabeças, que esquecemos do outro.
Vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma
Todo amor em quase nada
Mas "quase"
Também é mais um detalhe.
Eu gosto daquele que nunca te pôs os olhos e já consegue te olhar em meio uma faixa de pedestre. Gosto de multidões pra observar os que passam. Cada gesto único que atravessa. E fico satisfeita se o outro retorna o olhar descobrindo meu movimento repetido sob o anel em torno do dedo. Minha atenção surge nos detalhes.
Na cabeça que quebra pra um dos lados se algo comove, no movimento das mãos ao descobrir as costas, a nuca. Na face que se torna séria puramente concentrada no objetivo de absorver tudo o que o outro fala. Cada um com sua individualidade, com o mundo inteiro por dentro, suas dores e amores. Gritando ser e se deparar sendo só mais um grão.
Entro em um personagem pelos detalhes, pra mim são ações que dizem muito do íntimo. Ajudam a entrar no corpo. Tudo que reflete fora houve uma causa dentro - ação e reação. Como um triângulo: Possuímos um psicológico que traz o pensar, a alma que desperta o puro e por fim um corpo como uma carcaça cobrindo tudo isso. Todos possuem. Entre personagens, atores e ajudantes da coxia. O público, que possui corpos, está assistindo no lado escuro do teatro, e entende o que foi passado pelo lado psicológico, logo o laudo do cérebro toca a alma e um sorriso pode até ser dado através do corpo.
Gosto de quem repara. Um movimento jogado ali e aqui, uma tensão com os dedos por não saber o que dizer.
Gosto dos modos impulsivos e desastrados. Dos não compreendidos. Introspectivos.
Eu gosto dos olhares compulsivos sem disfarce, por um tanto, que as pupilas dilatam e o olhar entra.
Dos exagerados. Dos não medidores de palavras.
Gosto dos escrachados e dos mais tímidos. Dos que instigam.
Gosto dos detalhes que são livres, fazem porque querem. Dos surtos.
Passos maiores que a perna.
É aí que eu vejo a admiração surgindo, a autenticidade. O livre.
Gosto dos seus detalhes.
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