sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O copo

Ao contrário do que se costuma acontecer, não ando perdida. Me encontro transbordando, caindo pela borda.
Por uma sensação estranha, um sentimento inquieto. Amargo e bem doce ao fundo, bem no final.
Como aquele pouco de áçucar que fica no fundo do copo, ficará lá, intocável esperando que alguém de tanta gula o tire pelos dedos.
Deverá ser bebido todo o líquido amargo, que incansavelmente a cada gole manifesta teu sabor, até as papilas gustativas se contrariarem de dor.
E então, depois, outras ferramentas tem que se buscar, até enfim levar o doce à boca e se deliciar.
Deliciar do que há de mais bonito e te segura. Deixando o sabor do mel, tão doce, na boca.
O amargo vem em grande quantidade, bem desproporcional ao áçucar, mas se passa. Embora esteja demorando muito e a cada gole que tenho tomado, um pedaço de mim se vai.
"Mas se passa" repito várias vezes. Até decorar e colocar de alguma forma no meu psicológico pra realmente passar. Porque é a única coisa em que ando acreditando - e minha única esperança também.
Isso me tira todo o ar, deixando meu orgulho e muitos espinhos. Porém, ando mesmo acreditando que um espinho foi cortado.
Depois de tanto tempo, caiu, se deixando sentir o arder dos olhos. Como se aquele teu amargo saísse através deles. Ardeu não porque teria algo e sim por tanto tempo que se passou com os olhos congelados, ardeu por dor, ardeu porque tu estás partindo de mim.
A chuva se misturava numa tentativa de abafar esse orgulho, misturando tuas gotas com o amargo que caia dos meus olhos.

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