domingo, 27 de novembro de 2011

- E como você se sente?
- Às vezes uma névoa.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Troca

Se muda do país, de casa, troca de palavras, muda tudo. E no entanto, não muda nada.
Continua a mesma, dura e genuína.
Não há nada que se preocupar, acredita em mim, não é o primeiro tropeço que eu levo. Meus joelhos já andam ralados faz tempos.
Só é complicado de aceitar, tente entender.
Como se andasse por horas e horas e nenhum lugar chegasse, sem saber nem por onde andar. Rumo é algo que não levamos em nenhuma consideração nessa hora, pelo menos pra mim.
Sem rumo, sem ti e ao menos à mim.
Não levando nada pela mão e perdendo totalmente os sentidos, todos eles. Como se escapar escondendo a poeira por baixo do tapete consertasse tudo por ser totalmente cômodo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O copo

Ao contrário do que se costuma acontecer, não ando perdida. Me encontro transbordando, caindo pela borda.
Por uma sensação estranha, um sentimento inquieto. Amargo e bem doce ao fundo, bem no final.
Como aquele pouco de áçucar que fica no fundo do copo, ficará lá, intocável esperando que alguém de tanta gula o tire pelos dedos.
Deverá ser bebido todo o líquido amargo, que incansavelmente a cada gole manifesta teu sabor, até as papilas gustativas se contrariarem de dor.
E então, depois, outras ferramentas tem que se buscar, até enfim levar o doce à boca e se deliciar.
Deliciar do que há de mais bonito e te segura. Deixando o sabor do mel, tão doce, na boca.
O amargo vem em grande quantidade, bem desproporcional ao áçucar, mas se passa. Embora esteja demorando muito e a cada gole que tenho tomado, um pedaço de mim se vai.
"Mas se passa" repito várias vezes. Até decorar e colocar de alguma forma no meu psicológico pra realmente passar. Porque é a única coisa em que ando acreditando - e minha única esperança também.
Isso me tira todo o ar, deixando meu orgulho e muitos espinhos. Porém, ando mesmo acreditando que um espinho foi cortado.
Depois de tanto tempo, caiu, se deixando sentir o arder dos olhos. Como se aquele teu amargo saísse através deles. Ardeu não porque teria algo e sim por tanto tempo que se passou com os olhos congelados, ardeu por dor, ardeu porque tu estás partindo de mim.
A chuva se misturava numa tentativa de abafar esse orgulho, misturando tuas gotas com o amargo que caia dos meus olhos.