segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O vão

Era um campo.
Bem amplo e deserto, com a vista para umas montanhas e aquele céu amarelado com laranja. Nuvens davam um toque de mistério tampando partes daquela mistura de cores tão bonita.
Tua grama era bem rala, bem verde e veluda, parecia um grande cobertor esverdeado. Tinham umas flores também, amarelinhas fazendo par com o céu.
Aquele cheiro de terra molhada e o perfume das margaridas inundavam todo o ar, mexia com teu corpo inteiro.
Dava pra ouvir o canto dos pássaros, suas batidas de asas... O uivo do vento.
E andava, andava e andava. Sem fim, pois não tinha. Era tentador todo aquele campo e sair dele era totalmente impossível, mas quem entrava se quer cogitava a possibilidade de sair, era lindo e acolhedor.
Em certa parte, de tanto andar e teus pés de tão doloridos, parou e avaliou onde se encontraria algo além daquilo.
Até que avistou um lado do céu que estava escuro, seguiu.
Seguiu caindo pelo caminho, aos tropeços, o vento batia e de tão forte, trazia consigo ramos de árvores que lutavam entre si. As lindas flores amarelas secaram e cortavam suas pernas.
De tanto correr, deu de frente a um precipício, a grama terminava e dava para um imenso vão entre rochas gigantescas. Dali olhou abaixo de teus pés e de tão fundo, não via o chão.
Sentiu o céu estremecer e o vento embalando teus cabelos num certo ritmo.
Ritmo que se deixou levar e nele mergulhou... Naquilo que se quer sabia onde dava, naquele vão. De tão rápido que se deixou levar, sua cabeça ficou vazia, todo o ar sumiu, e este era o único que podia lhe deter da gravidade que sugava teu corpo.
Sugava corpo, alma e coração.
Meu amor está caindo de precipícios e não anda precisando de nenhum vento para se levar, vai por si só.

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