O lugar novo é bom, nostálgico, seguro, um lar... Mas não é meu lugar. Meu lugar é aquele em que foi destruído, queimado e suas cinzas jogadas ao relento, com desprezo e sem importância. O lugar o qual deixei minha caixa, na verdade, o lugar o qual me deixei.
Decidi voltar pra verificar se o maldito teria acontecido. Em primeiro ponto, observei de longe, desconfiada. Preocupada se tudo estaria em seus conformes, embora teria ali ocorrido uma destruição. A saudade foi maior, pois então fundo adentro. Apostei todas as moedas sem ao menos perceber algum trapaceiro.
De longe, a casa trazia cores melódicas, paredes retorcidas e trincadas. O chão teria rachaduras. Sem cor, sem vida.
Mesmo com a casa destruída, eu queria entrar, me lamentar, gritar, suplicar, seja o que for... Abri o portão e ao colocar o pé no primeiro piso, a rachadura que seguia até o final do cômodo se juntou. Me assustei. Porém, foi aí que quando olhei ao final do corredor, me surgiu a porta do segundo quarto aonde haviam pessoas trancadas. Corri em direção e não me importei com as benditas rachaduras, ou o que acontecia com elas ao meu toque.
Cheguei em frente a porta, toquei a maçaneta. Que ao meu toque sumiu com sua ferrugem. Foi então que olhei para trás e vi que a casa estava como antes da destruição, linda. As cores voltaram, as paredes não tinham mais mofo e um perfume de lavanda inundava o ar. Como se o fantasma daquela bonita casa fosse embora pra longe dali, e anjos trouxessem a vida de volta ao lugar. Tudo me contagiou muito bem.
A parte que faltava eram as minhas pessoas para compartilhar aquilo, a minha alegria tão inesperada. Me virei e girei a maçaneta. Quando abri, minhas pessoas estavam de pé com as fotos das lembranças em mãos que cada uma teria causado.
Um vento forte entrou pela janelinha ao fundo, que estava aberta, bateu direto em meus ombros e, de tão feroz, me levou ao chão. Ao cair, cada memória penetrava pouco a pouco em mim, me invadia, tomava conta do meu corpo.
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