domingo, 13 de março de 2016

O manto azul.

Deve ser da minha natureza mergulhar,
volta e meia voltar onde o ar encontra a água
pra sentir o sol

Sinto que é da minha natureza fluidamente
não me contentar com as beiradas.
Mergulho, em silêncio, calmamente
recebo aquela falta de luz que só o mar
pode gerar por ser tanta água

Sem alarmes, desespero ou ganância
O fundo do mar parece não ter desterro

Deve ser da minha natureza mergulhar
em águas que não vivi
em fados lusitanos
em histórias, como essa, que escrevi

Eu mergulho. Sem ter o peso da dúvida, do receio, da proeza.

Atravesso as faixas d'água como meu corpo, em superfície sensível, é atravessado pelo o que passa por aqui.
Eu atravesso, arrisco, mergulho, bebo, calo,
do rio, do mar, do lago, da ribanceira, da cachoeira
da poça, do vivo
mas por vezes volto à beira mar pra sentir o sol
é da minha natureza ser assim.

2015, dias depois de um sonho com uma flor azul que virava uma mulher de longos cabelos que virava uma anciã de manto azul.