sábado, 19 de outubro de 2013

Ruas alagadas.

A tua rua inunda minha rua, sua.
E por inundar, sua gotas que fazem poças na minha pele tão nua.
Aí vem a lua, fazendo clarão no asfalto da tua rua.
E sua, e tua, e nua, e lua.
Meu âmago acen-tua no teu peito,
perpé-tua o que não se sabe bem direito.
Deixe disso! É só o amor que a-tua, flu-tua, tumul-tua naquelas duas longas ruas.
Os postes iluminam nossas encruzilhadas nuas. Que luz suave a tua!
A minha rua encosta na sua.
Que o meu/minha se transforme em cumplicidade.
Depositamos o medo do abandono num cartão de troca dx outrx. Depositamos esse amor afável, puro, doce, num jogo de interesses.
As pessoas não são minhas, elas nunca foram.
Até mesmo quando entregamos nossas almas, num colchão esbugalhado, cheios de tara,
Até mesmo quando colocamos a cara, recolhendo nossas migalhas,
Até mesmo quando é tu,
Até mesmo a tua rua,
continuamos enlaçadxs com o resto de tudo. Com o resto do mundo.
Somos caminhos sinuosos que, por vezes, se batem por aí.
Nós, encruzilhadas.
Nós, uma grande ligação entre todas as avenidas existentes.
Nós, sós.
Nós, sãos, grãos, pagãos.
Nós
ainda nos encontramos por essas esquinas.