quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Licença poética em versinhos terminados com "lha".

Caço o acaso
Caço e me usa, abusa
Caço o teu perfume de fogueira
Caço seus olhos espremidos de rabo de olho,
e seu jeito de andar.
Sou fera ferida
que vive a sua partida
e por isso dano a caçar.
Caço olhares que consigam me cobrir
como o seu cobriu
como sua carne supriu a minha fome.
Caço línguas que não me perguntem o porquê dos meus risos,
só riem comigo.
Caço tua não-fala
Caço poros que exalem o seu eu interior.
Eu caço gente que já levou uns tapas na cara
já foi um canalha
e mesmo que de nada valha,
adentre em mim como lança em batalha
me diga que o coração não falha
encontrar uma presa, assim como tu, é achar agulha na palha.
Eu caço pra sobreviver.