sexta-feira, 7 de maio de 2010

Retornar

Era tarde, pensamentos lhe vinham a cabeça a praticamente cada segundo. Estava confusa.
Procurava entender o que acontecia ao seu redor. Tantas atitudes, tantos sentimentos...
Esses pensamentos faziam sua insonia aguçar.
E lá estava ela, deitada em sua cama, com as luzes apagadas, fitando os adesivos que brilhavam grudados no teto. Não conseguia organizar nada em sua cabeça.
Ela se levantou e se apoiou na janela. O céu estava em um tom azul marinho bem escuro, as estrelas faziam contraste com ele. A lua estava linda, um pouco maior que o normal. Naquele estado, uma angústia que veio de um lugar escondido do seu coração cresceu dentro dela, e se espalhou por todo seu corpo. Já tinha superado essa recordação. Ela se perguntou o porque isso tinha voltado depois de tanto tempo.
Teve medo. Pensou até em desistir desse novo amor.
E se acontecesse a mesma coisa? Se seu coração quebrasse do mesmo jeito? Se suas lágrimas caissem da mesma forma?
Era tudo muito ruim, ela não poderia arriscar.
Seus olhos se encheram de água. Será que ela nunca conseguia acertar?
Isso que chamam de amor, não era pra ela. Definitivamente.
Fechou a janela e se deitou.
Aninhou-se nas cobertas, e esperou o sono chegar com bons sonhos.
"Estava em cima de uma montanha, ela tinha uma cor escura em certo tom de verde. Era de manhã, os primeiros raios nasciam fazendo brilhar o orvalho que havia na montanha.
A vista lá de cima era linda, o céu estava com um azul claro, sem nuvens, tinham alguns pássaros ao leste.
Um raio bateu em alguma coisa ao seu lado que cintilava.
Quando ela olhou, viu um espelho.
Um pedaço relativamente grande com bordas vermelhas.
Ela o pegou, olhou de ambos os lados, nada tinha. Apenas as bordas vermelhas.
Quando levou em direção ao rosto, seu reflexo não aparecia, era como se o espelho estivesse embaçado. Ela tentou limpa-lo com a blusa, mas quando levou ao rosto novamente, não via sua imagem.
Foi nessa hora que percebeu que não estava sozinha.
Seu rosto não aparecia, porém você estava lá, atrás dela, a fitando com um sorriso.
Na mesma hora, os olhos dela brilharam. Se levantou apressada, lançando o espelho ao chão, que se quebrou.
Ela não ligou, só queria ir ao seu encontro.
Quando se virou, você havia sumido, desaparecido. E seu mundo foi aos poucos desabando."
Ela acordou, nervosa, olhando para os lados, viu que aquilo era apenas um sonho, mostrava a realidade, mas não passava de um sonho. Afundou no seu travesseiro e por lá ficou o resto de sua longa noite.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Romances

Contos de fada são sempre da mesma forma: Têm uma protagonista forte, um personagem principal masculino encantador, um conflito que os separa e no fim, depois de muita unha roída, uma conclusão satisfatória... O final feliz.
Queria viver uma história assim, sem ter a preocupação de que um dia algo viria a dar errado, eu saberia que o que desse errado se trataria daquela parte: "Um conflito que os separa" e logo depois meu final final feliz retornaria. Mas eu não estou em um conto de fadas! Na verdade, acho que estou bem longe disso.
Que diabos de conto de fadas é esse que me deixa mal?
Que "aquele personagem principal masculino encantador" faz com que a protagonista forte, fique fraca, e faz com que ela se pergunte todos os dias, o que fez de errado para ter uma história tão complicada como essa, qualquer passo que ela der, vai fazer com que ao minímo um coração fique partido, e pior, esse coração não será o dela, e sim de terceiros.
Tenho que parar de mentir pra mim mesma, a vida não é um romance por completo. Agora eu entendo porque contos de fadas vendem tão bem. As pessoas gostam deles porque querem que suas vidas sejam iguais ao que foi escrito, mal sabem elas que isso foi uma ideia de uma cabeça que também pensava assim.

Eu só não queria acordar pra realidade, viver em meus sonhos é bom, lá tudo só passa de contos de fadas.



PVQNSCV 30-04-2010 Contos de fadas são uma merda.